31 de julho de 2025
rio de janeiro

FAB recebeu alerta sobre aumento de voos antes de colisão entre helicópteros

Documento da NAV Brasil apontou crescimento dos cruzamentos de aeronaves e dificuldades de coordenação na região; mudanças no espaço aéreo estão previstas para 2027

Por Redação
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Dois helicópteros se envolveram em uma colisão no dia 14 de junho - Foto: Reprodução/Redes sociais

A NAV Brasil, empresa responsável pelos serviços de navegação aérea no país, enviou em dezembro de 2025 um ofício ao Centro Regional de Controle do Espaço Aéreo Sudeste (CRCEA-SE), órgão vinculado à Força Aérea Brasileira (FAB), alertando para o aumento do tráfego de helicópteros na região do Aeroporto de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro. O documento foi encaminhado cerca de seis meses antes da colisão entre dois helicópteros registrada em 14 de junho, acidente que resultou na morte de seis pessoas.

Entre as vítimas estão o cantor norte-americano Oliver Tree, os argentinos Lucas Vignale e Gaspar Prim, o produtor musical Lucas Brito Chaves e os pilotos Alexandre Souza e Charles Marsillac. Uma das aeronaves envolvidas havia decolado do Aeroporto de Jacarepaguá.

No ofício, a NAV Brasil informou que os cruzamentos de voos na região registraram aumento superior a 150% em diversos meses de 2025 na comparação com o ano anterior. Os chamados voos cruzados acontecem quando aeronaves que partem de aeroportos ou helipontos diferentes compartilham o mesmo espaço aéreo durante o trajeto.

O documento também aponta que, entre janeiro e outubro de 2025, foram registradas 141.853 operações controladas em Jacarepaguá. Desse total, 89.077 corresponderam a pousos e decolagens, enquanto 49.101 foram operações de cruzamento de aeronaves, representando parte significativa da movimentação aérea da região.

Em resposta enviada no dia 23 de dezembro de 2025, o CRCEA-SE reconheceu a situação e informou que estudos para reestruturação da Área de Controle Terminal do Rio de Janeiro já estavam em andamento. Segundo o órgão, a implementação das mudanças está prevista para junho de 2027 e inclui análises sobre a circulação aérea no entorno do Aeroporto de Jacarepaguá.

Outro ponto destacado pela NAV Brasil foi a ocorrência de falhas de coordenação entre pilotos. O documento relata situações de sobreposição de comunicações e dificuldades na percepção da presença de outras aeronaves operando na mesma área, especialmente em locais onde não há acompanhamento direto dos controladores de tráfego aéreo.

O Aeroporto de Jacarepaguá concentra operações de aviação executiva, táxi aéreo, transporte para plataformas marítimas e voos turísticos. Parte dos trajetos realizados na região ocorre fora das áreas controladas, exigindo que os pilotos sigam regras gerais da aviação e utilizem sistemas de autocoordenação para comunicar suas posições e intenções de voo.

A colisão ocorreu próximo à Avenida das Américas, na altura do bairro Recreio dos Bandeirantes, em um trecho fora da área sob monitoramento dos controladores de tráfego aéreo. Nesses locais, as aeronaves operam seguindo procedimentos previstos nas normas da aviação civil, incluindo limites de altitude, pontos obrigatórios de comunicação e requisitos meteorológicos.

Diferentemente de São Paulo, o Rio de Janeiro não possui um centro dedicado exclusivamente ao monitoramento de helicópteros. Na capital paulista, o sistema Helicontrol opera no Aeroporto de Congonhas e registrou mais de 39 mil voos de helicópteros em 2025.

As causas da colisão continuam sendo investigadas. A Polícia Civil analisa planos de voo e rotas percorridas pelas aeronaves, enquanto o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) conduz a apuração técnica do acidente.

Dados obtidos pela reportagem mostram ainda aumento das ocorrências envolvendo aeronaves no Rio de Janeiro. Até o momento, foram registrados 12 atendimentos relacionados a acidentes ou incidentes aéreos em 2026, contra três ocorrências no mesmo período do ano anterior.