Lula telefonou para Jaques, mas ainda não decidiu futuro do aliado; entenda o caso
Senador é suspeito de receber vantagens em troca de atuação em pautas de interesse do banco; petista nega irregularidades e diz que Lula mantém "absoluta confiança"
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O senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, foi alvo de busca e apreensão da Polícia Federal nesta quinta-feira (18) na 9ª fase da Operação Compliance Zero, que investiga irregularidades envolvendo o Banco Master. A suspeita é que o parlamentar tenha recebido vantagens indevidas em troca de atuação em pautas de interesse da instituição financeira no Congresso. O presidente Lula (PT) calcula o desgaste político e ainda não decidiu se mantém Wagner no cargo.
A decisão que autorizou as buscas foi do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Foram cumpridos 18 mandados de busca e apreensão na Bahia, São Paulo e Distrito Federal.
Segundo a PF, há "elementos indicativos de recebimento de vantagens econônicas indevidas pelo parlamentar, direta ou indiretamente, por intermédio de familiares, pessoas de confiança e estruturas societárias vinculadas ao grupo econômico investigado". O senador teria atuado como "interlocutor relevante em temas sensíveis do grupo investigado".
A PF aponta que Wagner atuou em pautas como a ampliação da margem consignável para trabalhadores CLT e aposentados, por meio de emenda à MP 1.106/2022, e na articulação para aprovação da PEC 65/2023, que tratava do limite de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
Como contrapartida, Wagner teria recebido um apartamento avaliado em R$ 2,45 milhões no Residencial Poème Horto, em Salvador. O próprio senador teria encaminhado ao banqueiro Augusto Ferreira Lima, ex−sócio do Banco Master, os dados do imóvel.
A PF também encontrou dinheiro em espécie em endereços ligados ao parlamentar. US$ 49 mil em um quarto de hotel em Brasília e 33,5 mil euros e mais US$ 6.175 na Bahia.
Em entrevista à BandNews TV, Wagner negou irregularidades e afirmou estar "absolutamente tranquilo". Disse que não é réu nem denunciado e que sua relação com Augusto Lima se restringe a conhecê-lo há algum tempo, mas negou ter vínculo com o Banco Master ou com Daniel Vorcaro. Sobre o apartamento, admitiu ter pedido a Lima que o comprasse, com a intenção de adquiri-lo depois.
Em nota, o senador negou atuação em favor do Banco Master ou de qualquer outra instituição financeira.
O presidente Lula conversou por telefone com Wagner ainda na quinta-feira. Segundo o senador, Lula manifestou solidariedade e disse que mantém "absoluta confiança". Lula também se reuniu com ministros no Palácio da Alvorada para avaliar o desgaste político.
Uma ala do Planalto defende a substituição de Wagner na liderança do Senado. Mas auxiliares afirmam que Lula só deve decidir após uma reunião presencial com o parlamentar, que deve ocorrer na próxima semana.
O PT alinhou o discurso de que qualquer revelação é responsabilidade do senador, não do presidente. A legenda também decidiu manter a estratégia de vincular o caso do Banco Master ao adversário presidencial Flávio Bolsonaro (PL-RJ), lembrando a visita dele a Vorcaro e áudio em que cobrava recursos para o filme "Dark Horse".
O presidente do PT, Edinho Silva, afirmou que o partido apoia "todas as apurações" e confia que Wagner "esclarecerá todos os fatos".