Farra dos salários: Em sessão relâmpago, Câmara de Maribondo ignora crise e aprova aumento para secretários
Sob a desculpa esfarrapada de "defasagem", vereadores elevam vencimentos de primeiro escalão em até 75%; apenas dois parlamentares votaram contra o absurdo
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Enquanto a população de Maribondo enfrenta as dificuldades diárias de um município que clama por investimentos básicos em saúde, educação e infraestrutura, a Câmara de Vereadores resolveu legislar em causa própria e blindar o bolso da elite política local. Em votação na sessão legislativa, o parlamento municipal aprovou um generoso reajuste salarial para os secretários municipais e secretários adjuntos da Prefeitura.
A proposta, que escancara a desconexão dos políticos com a realidade do povo, foi apresentada pelo vereador Cledson da Mata Verde (PDT). Sem qualquer pudor, o projeto passou com facilidade pela Casa, contando com a cumplicidade da ampla maioria dos parlamentares.
Com a canetada aprovada, o salário de um secretário municipal vai saltar imediatamente de R$ 3.700 para salgados R$ 5.000. O privilégio é ainda mais escandaloso para os secretários adjuntos, que ganharam um aumento absurdo de 75%, fazendo o contracheque pular de R$ 2.000 para R$ 3.500.
Para que o cidadão de Maribondo saiba exatamente quem carimbou esse tapa na cara do contribuinte, votaram a favor do aumento os vereadores: Cledson da Mata Verde, Vanda Florentino, Devanio Correia, Jacimo Wanderley, Leandro Batista e Fernando Militão. Em contrapartida, os únicos que demonstraram o mínimo de bom senso e respeito ao dinheiro público foram os vereadores Endinho Cavalcante e Paulinho Tenório, que votaram contra o texto.
Para tentar justificar o injustificável, o autor do projeto usou uma narrativa cínica. Cledson da Mata Verde alegou que os salários estavam "defasados" e que o reajuste serve para "atrair novos profissionais" e garantir a "qualidade dos serviços".
A justificativa ignora que o trabalhador comum da cidade não possui o mesmo privilégio de aumentar o próprio salário quando julga que seu poder de compra sumiu. Tratar cargos comissionados de indicação política como prioridade orçamentária é um insulto à população.
O projeto de lei agora segue para as mãos do Poder Executivo Municipal. Cabe o prefeito, decidir se vai sancionar a farra dos salários ou se terá a decência de vetar o reajuste e priorizar o orçamento onde a cidade realmente precisa.