31 de julho de 2025
POLÍTICA

Pressão cresce no Planalto e aliados defendem saída de Jaques Wagner da liderança do governo no Senado

Senador foi alvo da Operação Compliance Zero e enfrenta aumento das cobranças por esclarecimentos sobre investigação envolvendo o Banco Master

Por Redação
Publicado em
Aliados do governo avaliam que Jaques Wagner deveria deixar temporariamente a liderança no Senado para apresentar esclarecimentos sobre investigação. - Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

A situação do senador Jaques Wagner (PT-BA) no governo federal tornou-se mais delicada após a deflagração da 9ª fase da Operação Compliance Zero pela Polícia Federal, nesta quinta-feira (18). Nos bastidores do Palácio do Planalto, aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva já defendem que o parlamentar deixe a liderança do governo no Senado para se dedicar à sua defesa e aos esclarecimentos relacionados às investigações.

Wagner foi um dos alvos das medidas autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito da operação que apura supostas irregularidades envolvendo o Banco Master. As investigações analisam possíveis crimes de corrupção ativa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Segundo interlocutores do governo, a permanência do senador em uma função estratégica dentro da articulação política do Planalto passou a ser vista como um fator de desgaste para a gestão federal. A avaliação reservada é de que o afastamento poderia reduzir os impactos políticos do caso sobre o governo Lula.

Nos bastidores, integrantes da base governista afirmam que a decisão dependerá de uma conversa entre o presidente Lula e o próprio Jaques Wagner. Apesar disso, cresce a pressão para que o senador apresente explicações públicas sobre os fatos investigados.

A expectativa dentro do governo é que Wagner esclareça principalmente as circunstâncias relacionadas ao dinheiro encontrado em um endereço ligado ao parlamentar, fato que ampliou a repercussão política da operação.

A 9ª fase da Operação Compliance Zero foi deflagrada pela Polícia Federal com o objetivo de aprofundar as investigações sobre um suposto esquema de favorecimento envolvendo instituições do sistema financeiro nacional.

Por determinação do STF, agentes federais cumpriram 18 mandados de busca e apreensão nos estados da Bahia, São Paulo e no Distrito Federal. Além das buscas, foram impostas medidas cautelares como suspensão de passaportes, monitoramento eletrônico e proibição de contato entre investigados.

As apurações buscam identificar se agentes públicos teriam atuado para beneficiar interesses do Banco Master em troca de vantagens indevidas.

Embora o Palácio do Planalto não tenha se pronunciado oficialmente sobre a permanência de Jaques Wagner na liderança do governo, o episódio aumentou a preocupação de integrantes da administração federal com os desdobramentos políticos do caso.

Considerado um dos principais aliados de Lula e um dos articuladores mais influentes do governo no Congresso Nacional, Wagner ocupa posição estratégica nas negociações entre Executivo e Senado.