31 de julho de 2025
ECONOMIA

Comércio tem pior resultado em quase quatro anos e recua 1,5% em abril, aponta IBGE

Queda nas vendas de combustíveis puxou desempenho negativo do varejo; setor interrompe sequência de três meses de crescimento

Por Redação
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Queda nas vendas de combustíveis puxou retração de 1,5% do comércio varejista em abril, segundo o IBGE. - Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

O comércio varejista brasileiro registrou queda de 1,5% em abril de 2026 na comparação com março, segundo dados divulgados nesta terça-feira (16) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado interrompe uma sequência de três meses consecutivos de alta e representa o pior desempenho mensal do setor desde junho de 2022, quando havia sido registrada retração de 2,8%.

Apesar do recuo na comparação mensal, o comércio apresentou crescimento de 1% em relação a abril de 2025. No acumulado dos últimos 12 meses, o setor registra expansão de 1,5%. Já a média móvel trimestral, indicador que aponta a tendência de comportamento da atividade, permaneceu estável.

Os números fazem parte da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) e mostram que o varejo opera atualmente 1,5% abaixo do maior nível da série histórica, alcançado em março deste ano.

Entre os oito segmentos pesquisados pelo IBGE, seis apresentaram queda nas vendas em abril. O principal impacto negativo veio do setor de combustíveis e lubrificantes, que recuou 6,2% no período.

Segundo o levantamento, abril foi o segundo mês consecutivo sob influência dos efeitos do conflito no Oriente Médio, que provocou aumento dos preços internacionais dos combustíveis e impactou diretamente o consumo.

Confira o desempenho dos segmentos:

  • Combustíveis e lubrificantes: -6,2%;
  • Outros artigos de uso pessoal e doméstico: -4,6%;
  • Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação: -4,5%;
  • Móveis e eletrodomésticos: -0,8%;
  • Tecidos, vestuário e calçados: -0,1%;
  • Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria: -0,1%;
  • Hipermercados, supermercados, alimentos, bebidas e fumo: +1,3%;
  • Livros, jornais, revistas e papelaria: +1,1%.

O segmento de hipermercados e supermercados, que possui maior peso na composição da pesquisa, respondeu por parte da contenção das perdas ao registrar crescimento de 1,3% nas vendas.

O comércio varejista ampliado, que inclui as atividades de veículos, motocicletas, peças, material de construção e atacado de alimentos, bebidas e fumo, apresentou retração de 0,7% na passagem de março para abril.

Ainda assim, o indicador mantém alta de 1,8% no acumulado dos últimos 12 meses.

A Pesquisa Mensal de Comércio é um dos principais indicadores conjunturais do IBGE e integra o conjunto de levantamentos que monitoram o desempenho da economia brasileira.

Nos últimos dias, o instituto também divulgou resultados positivos para outros setores. A produção industrial cresceu 0,7% em abril, acumulando quatro meses consecutivos de expansão. Já o setor de serviços avançou 1,2%, registrando a primeira alta após cinco meses de estabilidade ou queda.

Os dados mostram um cenário de recuperação desigual entre os segmentos da economia, com comércio pressionado principalmente pelo aumento dos combustíveis e pela cautela dos consumidores.