Médicos que atenderam Bolsonaro na prisão relatam calote em plantões de R$ 15 mil
A equipe médica acompanhou Jair Bolsonaro ao longo dos 57 dias de sua permanência na Papudinha
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Pelo menos três médicos que prestaram assistência ao ex-presidente Jair Bolsonaro durante o período em que ele esteve detido no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como "Papudinha", afirmam que ainda não receberam os pagamentos pelos plantões realizados entre janeiro e março deste ano. O cronograma inicial previa que a primeira parcela fosse quitada em fevereiro.
Os profissionais integram os quadros da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) e foram convocados sob o regime de Trabalho por Período Definido (TPD). A mobilização da equipe ocorreu para cumprir uma determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, que ordenou assistência médica de 24 horas diárias ao ex-presidente.
Burocracia e ausência de ponto eletrônico
Um dos profissionais, que optou pelo anonimato, realizou oito plantões de 12 e 24 horas — incluindo escalas noturnas e em fins de semana — e calcula ter um crédito acumulado de aproximadamente R$ 15 mil. Segundo ele, o entrave burocrático envolve a comprovação das horas trabalhadas.
“Eles informaram que o plantão seria no formato TPD, mas neste formato a gente tem que bater ponto na SES mesmo. Tinha que entrar no sistema para comprovar que estava lá. E lá no Batalhão não tinha como, porque a gente assinava em um caderno a passagem de plantão com o ex-presidente”, relatou o médico ao portal Metrópoles.
Após constatarem a ausência dos valores nos contracheques a partir de fevereiro, os servidores foram orientados pela Subsecretaria de Gestão de Pessoas (SUGEP) a protocolar as folhas de ponto assinadas manualmente no Sistema Eletrônico de Informações (SEI). Apesar de cumprirem a exigência, o pagamento não foi efetuado. Posteriormente, a SES-DF alegou que o processo administrativo continha falhas de tramitação.
“Não temos nada a ver com o erro. A gente só foi trabalhar porque eles falaram que ia pagar como TPD. Nunca falaram nada em relação a estar de forma certa ou não, sendo que a gente confiava porque eram eles que falavam com a gente”, desabafou o servidor.
Rotina de atendimento na prisão
A equipe médica acompanhou Jair Bolsonaro ao longo dos 57 dias de sua permanência na Papudinha. De acordo com os relatos, o monitoramento do quadro de saúde do ex-presidente era rigoroso e constante.
“A gente atendia ele pelo menos três vezes por dia e até durante a noite enquanto ele dormia. Inclusive, a gente caminhava com ele por medo de ele cair”, detalhou um dos médicos envolvidos na assistência.