31 de julho de 2025
previsão

El Niño é confirmado e projeções indicam impactos no clima do Rio de Janeiro

Fenômeno climático deve ganhar força até 2027 e pode alterar padrão de chuva, calor e estiagem no Sudeste

Por Redação
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Apesar das projeções preocupantes, ainda não é possível afirmar que o evento será um “super El Niño” - Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

A Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) confirmou a formação do El Niño nesta quinta-feira (11). O fenômeno está associado ao aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial e já apresenta sinais de intensificação ao longo dos próximos meses.

Segundo projeções divulgadas pela NOAA, há probabilidade de 63% de o El Niño atingir maior intensidade entre novembro de 2026 e janeiro de 2027. O evento pode se enquadrar entre os mais fortes registrados desde 1950, dependendo da evolução das condições oceânicas e atmosféricas.

Para o estado do Rio de Janeiro, as projeções indicam alterações no padrão climático. O cenário inclui períodos de calor, estiagem, baixa umidade e ocorrência de chuvas intensas em curto intervalo de tempo.

As simulações indicam que os primeiros efeitos podem ocorrer a partir de agosto. O período inicial tende a apresentar redução de chuvas e aumento de temperatura até o início de dezembro.

Com o solo mais seco, há aumento do risco de queimadas e incêndios em áreas de vegetação, margens de rodovias e zonas rurais.

Apesar do período seco, podem ocorrer episódios de chuva intensa em curto espaço de tempo, com rajadas de vento, raios e granizo. Em áreas de relevo, há risco de enxurradas e deslizamentos.

A partir da segunda metade de dezembro, os modelos indicam mudança no padrão atmosférico, com possibilidade de formação de corredores de umidade sobre o Sudeste.

Um dos sistemas citados é a Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), responsável por períodos prolongados de chuva em determinadas regiões.

Na Região Serrana do Rio de Janeiro, cidades como Nova Friburgo, Petrópolis e Teresópolis estão entre as áreas com maior atenção devido ao relevo e à ocupação urbana em encostas.

O histórico da região inclui a tragédia de 2011, que registrou mais de 900 mortes em decorrência de deslizamentos e enxurradas.

O cenário atual não permite relação direta entre o fenômeno e eventos específicos, mas aponta combinação de fatores como aquecimento global, ocupação de áreas de risco e fragilidade de drenagem urbana.

No Sudeste, os efeitos do El Niño tendem a ocorrer de forma irregular, com alternância entre períodos secos e episódios de chuva intensa.

Esse comportamento pode afetar reservatórios, abastecimento de água, agricultura, geração de energia e preços de alimentos.

A classificação de “super El Niño” não é oficial. O termo é usado para descrever eventos de maior intensidade já registrados, como os de 1982-1983, 1997-1998 e 2015-2016.

As projeções dependem da evolução do aquecimento do Pacífico e da resposta da atmosfera nos próximos meses.

O El Niño já está configurado e deve atingir fase mais intensa entre o fim de 2026 e o início de 2027, com possíveis impactos no padrão climático do Rio de Janeiro.