De “bancada da bala” expulsa da coligação à aliada estratégica: a mudança de discurso de Renan Filho
Senador que em 2014 liderou coligação que excluiu integrantes agora defende aliança ampla e cita grupo como possível parceiro para 2026
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Em maio de 2014, quando foi lançado como candidato ao Governo de Alagoas pelo então PMDB, hoje MDB, Renan Filho iniciou sua caminhada ao Palácio República dos Palmares sob o discurso de renovação política e de rejeição a figuras consideradas desgastadas perante a opinião pública. Naquele momento, a chamada Frente de Oposição, liderada por seu pai, o então senador Renan Calheiros, tomou uma decisão que ganhou repercussão: deixou de fora da coligação os partidos PRTB e PMN, legendas ligadas a nomes históricos da política alagoana que ficaram conhecidos, desde a década de 1990, como integrantes da chamada “bancada da bala”.
A exclusão foi noticiada pelo jornal Extra na matéria intitulada “Frente de Oposição expulsa bancada da pistolagem da coligação”. Segundo a reportagem, o PRTB, de Antônio Albuquerque e João Beltrão, e o PMN, de Francisco Tenório, foram retirados do grupo que sustentaria a candidatura de Renan Filho ao governo estadual.
Na época, Renan Calheiros limitou-se a afirmar que os partidos ficariam fora da aliança por “motivos que todos já conhecem”, sem detalhar oficialmente as razões da decisão. A própria reportagem destacava que os principais nomes ligados às legendas carregavam acusações de formação de quadrilha, crime de mando e improbidade administrativa, além de terem seus nomes associados à Operação Taturana, investigação da Polícia Federal sobre desvios milionários na Assembleia Legislativa de Alagoas.
O texto também observava que a presença daqueles políticos poderia representar um peso para a candidatura de Renan Filho devido à elevada rejeição que possuíam junto a parte do eleitorado.
Os personagens excluídos da coligação eram figuras centrais da chamada “bancada da bala” alagoana. Antônio Albuquerque, Francisco Tenório e João Beltrão chegaram a ser denunciados pelo Ministério Público Estadual por suposto envolvimento no assassinato do cabo José Gonçalves da Silva Filho, o Cabo Gonçalves, executado com mais de 40 tiros em maio de 1996. Ao longo dos anos, os processos tiveram desfechos favoráveis aos parlamentares ou foram encerrados por insuficiência de provas, mas a imagem pública do grupo permaneceu associada ao episódio e à fama construída nos anos 1990.
Passados doze anos, o cenário político mudou significativamente.
Em entrevista concedida no último dia 11 de junho de 2026, Renan Filho, agora senador da República e novamente pré-candidato ao Governo de Alagoas, defendeu a construção de uma ampla frente partidária para a próxima eleição estadual. Durante coletiva em Maceió, afirmou que o projeto político em construção é “coletivo” e destacou a importância de dialogar com diferentes legendas.
Entre os partidos citados pelo senador como potenciais aliados está justamente o Republicanos, legenda comandada em Alagoas pelo deputado estadual Antônio Albuquerque, um dos principais nomes que ficaram de fora da coligação de 2014.
Ao comentar a possibilidade de composição, Renan Filho elogiou o crescimento do partido e afirmou que a legenda “pode somar bastante para o desenvolvimento de Alagoas”. Também destacou a presença da sigla em prefeituras do interior e sua capacidade de ampliar o diálogo político do grupo que pretende liderar em 2026.
A declaração evidencia uma mudança significativa na estratégia política adotada pelo ex-governador. Se em 2014 a Frente de Oposição optou por afastar nomes associados à chamada “bancada da bala”, alegando razões que jamais foram detalhadas oficialmente, em 2026 o discurso passou a ser de ampliação de alianças e construção de uma frente política abrangente, inclusive com lideranças que estiveram entre as principais excluídas daquele processo.
A aproximação com Antônio Albuquerque simboliza uma das maiores mudanças de rota da política alagoana nos últimos anos. O grupo que um dia foi considerado inadequado para compor o palanque de Renan Filho agora aparece como potencial aliado estratégico na tentativa de retorno do senador ao comando do Executivo estadual.