31 de julho de 2025
CLIMA

Agência dos EUA confirma retorno do El Niño e alerta para impactos no Brasil

Fenômeno deve persistir até o início de 2027 e pode provocar seca no Norte e Nordeste e aumento das chuvas no Sul

Por Redação
Publicado em
Agência dos EUA confirma retorno do El Niño e alerta para impactos no Brasil - Foto: Lauro Alves/Secom

A Agência Nacional para Oceanos e Atmosfera dos Estados Unidos (NOAA) confirmou o início de um novo episódio do fenômeno El Niño após identificar o aquecimento das águas do Oceano Pacífico tropical acima dos níveis considerados normais.

Segundo a agência norte-americana, as condições observadas na primeira semana de junho indicam a formação do fenômeno, que deve permanecer ativo pelo menos até o fim do inverno no Hemisfério Norte, em fevereiro de 2027.

As medições apontaram temperaturas 0,7°C acima da média histórica na faixa equatorial do Pacífico. O limite para caracterizar oficialmente o El Niño é de 0,5°C acima da normal climatológica.

Fenômeno pode ganhar força

A NOAA também estima em 63% a probabilidade de o aquecimento superar os 2°C acima da média entre novembro de 2026 e fevereiro de 2027, cenário que caracterizaria um episódio de forte intensidade.

O El Niño altera os padrões climáticos em diversas regiões do planeta, influenciando diretamente o regime de chuvas e as temperaturas.

Impactos no Brasil

No Brasil, os efeitos mais comuns incluem redução das chuvas nas regiões Norte e Nordeste, aumentando o risco de estiagens e períodos prolongados de seca.

Já na Região Sul, o fenômeno costuma favorecer chuvas acima da média, elevando o risco de enchentes, alagamentos e deslizamentos.

Situação semelhante foi observada em 2024, quando o Rio Grande do Sul enfrentou uma das maiores tragédias climáticas de sua história, com enchentes que afetaram dezenas de municípios.

Especialista faz alerta

Para o professor Ricardo de Camargo, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo, é importante diferenciar os efeitos do El Niño das mudanças climáticas globais.

Segundo ele, o fenômeno faz parte da variabilidade natural do clima terrestre, embora o aquecimento dos oceanos também contribua para o aumento das temperaturas médias globais.

"O El Niño é um fenômeno natural do sistema climático e precisa ser analisado separadamente das mudanças climáticas de longo prazo", explicou o pesquisador.

Camargo destacou ainda que os critérios utilizados pela NOAA são amplamente reconhecidos pela comunidade científica e se baseiam em uma extensa rede de monitoramento oceânico e atmosférico.

A próxima atualização oficial sobre a evolução do fenômeno deverá ser divulgada pela agência norte-americana em 9 de julho.