Com apoio da Dra. Eudócia, caneta que detecta câncer em 10 segundos é debatida no Senado e promete revolução no SUS
Tecnologia desenvolvida por cientista brasileira está em testes avançados em São Paulo e promete cirurgias mais rápidas, precisas e baratas.
Publicado em
Uma tecnologia revolucionária que promete mudar o patamar do combate ao câncer no Brasil foi o grande destaque de uma audiência pública na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado, nesta quinta-feira (11). Especialistas e parlamentares celebraram os avanços de uma "caneta" inovadora, capaz de identificar células cancerígenas no corpo do paciente em apenas 10 segundos durante o procedimento cirúrgico.
A ferramenta foi desenvolvida pela pesquisadora e cientista brasileira Lívia Schiavinato Eberlin, professora na Baylor College of Medicine, nos Estados Unidos. Atualmente, o dispositivo está sendo testado no Brasil em uma parceria de peso com o Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, e os resultados são para lá de animadores.
De acordo com Carlos Eduardo dos Santos Ferreira, gerente-médico do laboratório clínico do Einstein, os testes estão na reta final. Dos 60 comissionados previstos inicialmente para a validação da tecnologia, 45 procedimentos já foram feitos — todos com sucesso e sem causar nenhum tipo de dano aos pacientes ou aos tecidos analisados. A expectativa é que essa primeira fase de testes seja totalmente concluída até o fim deste ano.
O fim da dúvida dos cirurgiões
A grande vantagem da caneta é resolver o maior dilema dos médicos na mesa de operação. Segundo a pesquisadora Lívia Eberlin, a retirada incompleta de um tumor é um dos fatores que mais causam a volta da doença e o risco de metástase. A ferramenta entrega a resposta em segundos.
“A caneta diz exatamente onde o câncer termina e onde o tecido normal começa. Isso traz um benefício não somente para pacientes e cirurgiões, mas também para o sistema de saúde”, explicou a cientista, lembrando que o Brasil registra cerca de 700 mil novos casos de câncer por ano.
Ao dar essa certeza ao médico em tempo real, o aparelho evita que o paciente precise passar por uma segunda cirurgia para raspar o que sobrou do tumor. Além disso, a precisão reduz o tempo de internação, libera leitos hospitalares mais rápido e pode diminuir a necessidade de tratamentos dolorosos e caros após a operação, como a quimioterapia e a radioterapia.
A senadora alagoana Dra. Eudócia (PSDB-AL), que é médica e participou ativamente do debate, cobrou pressa e investimentos pesados do governo para abraçar a inovação, destacando que o tempo é o fator mais precioso para salvar os pacientes.
— A gente não pode cruzar os braços para uma doença tão avassaladora como é o câncer, doença esta que, além de avassaladora, é tempo-dependente: quanto mais você demora a avançar tecnologias de ponta, você vai perdendo vidas — alertou a senadora.
Próximos passos para chegar ao SUS
O grande sonho dos defensores do projeto é fazer do Brasil o primeiro país do mundo a adotar a caneta em larga escala na rede pública. Para Lívia, a ferramenta casa perfeitamente com os princípios de universalidade e igualdade do Sistema Único de Saúde (SUS), já que democratizaria um tratamento de altíssimo nível.
Mas para o torcedor do SUS ver essa caneta nos hospitais públicos, ainda há um caminho burocrático a seguir. Cecília Menezes Farinasso, representante da Conitec (órgão que avalia a entrada de novos tratamentos no SUS), explicou que o primeiro passo obrigatório é conseguir o registro sanitário na Anvisa.
Depois disso, o Ministério da Saúde precisará fazer um estudo de impacto financeiro para calcular quantas canetas serão compradas e como o sistema vai absorver a novidade, garantindo que o avanço tecnológico chegue com segurança e eficácia a quem mais precisa.
Com informações da Agência Senado.