31 de julho de 2025
avanço

Com apoio da Dra. Eudócia, caneta que detecta câncer em 10 segundos é debatida no Senado e promete revolução no SUS

Tecnologia desenvolvida por cientista brasileira está em testes avançados em São Paulo e promete cirurgias mais rápidas, precisas e baratas.

Por Redação
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A senadora Dra. Eudócia comandou o debate - Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

Uma tecnologia revolucionária que promete mudar o patamar do combate ao câncer no Brasil foi o grande destaque de uma audiência pública na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado, nesta quinta-feira (11). Especialistas e parlamentares celebraram os avanços de uma "caneta" inovadora, capaz de identificar células cancerígenas no corpo do paciente em apenas 10 segundos durante o procedimento cirúrgico.

A ferramenta foi desenvolvida pela pesquisadora e cientista brasileira Lívia Schiavinato Eberlin, professora na Baylor College of Medicine, nos Estados Unidos. Atualmente, o dispositivo está sendo testado no Brasil em uma parceria de peso com o Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, e os resultados são para lá de animadores.

De acordo com Carlos Eduardo dos Santos Ferreira, gerente-médico do laboratório clínico do Einstein, os testes estão na reta final. Dos 60 comissionados previstos inicialmente para a validação da tecnologia, 45 procedimentos já foram feitos — todos com sucesso e sem causar nenhum tipo de dano aos pacientes ou aos tecidos analisados. A expectativa é que essa primeira fase de testes seja totalmente concluída até o fim deste ano.

O fim da dúvida dos cirurgiões

A grande vantagem da caneta é resolver o maior dilema dos médicos na mesa de operação. Segundo a pesquisadora Lívia Eberlin, a retirada incompleta de um tumor é um dos fatores que mais causam a volta da doença e o risco de metástase. A ferramenta entrega a resposta em segundos.

“A caneta diz exatamente onde o câncer termina e onde o tecido normal começa. Isso traz um benefício não somente para pacientes e cirurgiões, mas também para o sistema de saúde”, explicou a cientista, lembrando que o Brasil registra cerca de 700 mil novos casos de câncer por ano.

Ao dar essa certeza ao médico em tempo real, o aparelho evita que o paciente precise passar por uma segunda cirurgia para raspar o que sobrou do tumor. Além disso, a precisão reduz o tempo de internação, libera leitos hospitalares mais rápido e pode diminuir a necessidade de tratamentos dolorosos e caros após a operação, como a quimioterapia e a radioterapia.

A senadora alagoana Dra. Eudócia (PSDB-AL), que é médica e participou ativamente do debate, cobrou pressa e investimentos pesados do governo para abraçar a inovação, destacando que o tempo é o fator mais precioso para salvar os pacientes.

— A gente não pode cruzar os braços para uma doença tão avassaladora como é o câncer, doença esta que, além de avassaladora, é tempo-dependente: quanto mais você demora a avançar tecnologias de ponta, você vai perdendo vidas — alertou a senadora.

Próximos passos para chegar ao SUS

O grande sonho dos defensores do projeto é fazer do Brasil o primeiro país do mundo a adotar a caneta em larga escala na rede pública. Para Lívia, a ferramenta casa perfeitamente com os princípios de universalidade e igualdade do Sistema Único de Saúde (SUS), já que democratizaria um tratamento de altíssimo nível.

Mas para o torcedor do SUS ver essa caneta nos hospitais públicos, ainda há um caminho burocrático a seguir. Cecília Menezes Farinasso, representante da Conitec (órgão que avalia a entrada de novos tratamentos no SUS), explicou que o primeiro passo obrigatório é conseguir o registro sanitário na Anvisa.

Depois disso, o Ministério da Saúde precisará fazer um estudo de impacto financeiro para calcular quantas canetas serão compradas e como o sistema vai absorver a novidade, garantindo que o avanço tecnológico chegue com segurança e eficácia a quem mais precisa.

Com informações da Agência Senado.