31 de julho de 2025
Brasil

Trabalhadores com 60+ ampliam presença no mercado em ritmo acelerado

Mais da metade dos trabalhadores idosos está na informalidade, aponta estudo

Por Redação
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Emprego entre idosos avança, porém 53% atuam sem carteira. - Foto: Marcelo Camargo/Arquivo/Agência Brasil

O número de brasileiros com 60 anos ou mais no mercado de trabalho cresceu 53% nos últimos dez anos — ritmo superior ao avanço dessa faixa etária na população e também acima da expansão do emprego geral no país.

Os dados fazem parte de um levantamento divulgado nesta semana pela empresa de pesquisa e inteligência de dados Nexus, com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, do IBGE.

Entre 2016 e 2025, a população idosa no Brasil passou de 25,8 milhões para 35,2 milhões — um aumento de 37%. No mesmo período, o número de trabalhadores com 60 anos ou mais saltou de 5,7 milhões para quase 8,8 milhões.

Ao fim de 2025, 25% das pessoas nessa faixa etária estavam ocupadas, o maior percentual da última década. Em 2016, essa taxa era de 22%.

Na comparação com a população geral, o crescimento foi mais modesto: o total de habitantes do país aumentou 5%, enquanto o número de pessoas ocupadas avançou 14,6%, chegando a quase 103 milhões de trabalhadores no ano passado.

Para o CEO da Nexus, Marcelo Tokarski, o cenário apresenta dois lados. De um lado, o aumento da participação dos idosos no mercado indica maior capacidade ativa da população mais velha.

Por outro, ele aponta sinais de precarização do período que tradicionalmente seria destinado à aposentadoria, especialmente considerando que o grupo inclui pessoas com 70 ou até 75 anos que continuam trabalhando para complementar a renda.

Segundo Tokarski, a reforma da Previdência de 2019 pode ter contribuído para esse movimento, ao elevar a idade mínima e o tempo de contribuição exigidos para aposentadoria.

Atualmente, mulheres precisam ter ao menos 62 anos de idade e 15 anos de contribuição. Para os homens, a exigência é de 65 anos de idade e 20 anos de contribuição.

Apesar do crescimento no número de trabalhadores 60+, a informalidade é predominante nesse grupo. De acordo com o estudo, 53% dos idosos ocupados trabalham sem carteira assinada ou como autônomos sem CNPJ.

O percentual é superior ao registrado na população geral (38%) e também maior que o índice entre jovens de 18 a 24 anos (41%).

Na informalidade, não há garantias como férias remuneradas, 13º salário e contribuição regular à Previdência Social.

Para o CEO da Nexus, a tendência revela um padrão estrutural: enquanto jovens podem adiar a entrada no mercado ou buscar melhores oportunidades, muitos idosos precisam aceitar rapidamente ocupações informais para garantir renda.

O levantamento conclui que a sustentabilidade econômica do país passa por políticas públicas voltadas à formalização do trabalho e por uma revisão das estruturas corporativas, com foco em ergonomia, benefícios e inclusão geracional.