31 de julho de 2025
R$ 204 MILHÕES EM 4 MESES

Mala de dinheiro, folha milionária e Sururugate: os episódios que cercam Marcelo Victor, o presidente da ALE de Alagoas

Enquanto a Assembleia Legislativa desembolsa quase R$ 110 milhões com gratificações de cargos comissionados em apenas quatro meses, antigos e novos episódios voltam a colocar a gestão da Casa sob os holofotes

Por Redação
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Vídeo da mala de dinheiro viralizou em 2022. - Foto: Reprodução

A Assembleia Legislativa de Alagoas (ALE), presidida pelo deputado estadual Marcelo Victor (MDB), voltou ao centro das atenções após a divulgação de novos dados sobre os gastos do Legislativo estadual e a repercussão de episódios que marcaram a trajetória recente da Casa de Tavares Bastos.

De janeiro a abril de 2026, a ALE desembolsou R$ 109,9 milhões apenas com gratificações relacionadas ao exercício de cargos em comissão. Os números constam no Balancete da Despesa da própria Assembleia e revelam o peso da estrutura de livre nomeação mantida pelo Legislativo alagoano.

No mesmo período, as despesas totais da Casa já ultrapassaram R$ 204,7 milhões. Os dados ganham ainda mais relevância diante do ritmo acelerado de nomeações. Somente em maio foram publicadas 187 nomeações para cargos comissionados. Nos primeiros onze dias de junho, outros 118 servidores foram nomeados e 39 exonerados.

Enquanto os gastos crescem, episódios antigos e recentes voltam a alimentar questionamentos sobre a gestão da Assembleia.

Um dos casos mais emblemáticos ocorreu durante as eleições de 2022, quando Marcelo Victor foi abordado pela Polícia Federal em um hotel de luxo de Maceió. Na ocasião, os agentes apreenderam R$ 146,6 mil em dinheiro vivo, além de listas com nomes de pessoas e material de campanha eleitoral.

O episódio ganhou repercussão nacional e voltou a circular nas redes sociais nos últimos dias após a divulgação de imagens da abordagem realizada pela Polícia Federal. No vídeo, que voltou a ser compartilhado por perfis políticos e páginas de notícias, aparecem o dinheiro apreendido e os materiais recolhidos pelos investigadores.

À época, a Polícia Federal instaurou investigação para apurar suspeitas de corrupção eleitoral e possível compra de votos. Marcelo Victor negou qualquer irregularidade e afirmou ter sido vítima de uma "armação policialesca".

O caso voltou ao noticiário após a Justiça Eleitoral determinar o prosseguimento das investigações, reabrindo um debate que parecia encerrado.

A repercussão ocorre justamente em um momento em que Marcelo Victor ampliou sua atuação política nas redes sociais. No último dia 10 de junho de 2026, o presidente da Assembleia publicou uma manifestação pública em defesa dos senadores Renan Calheiros (MDB) e Renan Filho (MDB), reagindo às críticas feitas pela senadora Eudócia Caldas (PSDB).

Na publicação, Marcelo Victor classificou Renan Calheiros como uma das figuras mais importantes da política nacional e exaltou a trajetória do senador e do ex-governador de Alagoas, reforçando sua posição como um dos principais aliados políticos do grupo que comanda o MDB no estado.

As discussões sobre gastos públicos também reacendem lembranças de um dos maiores escândalos já investigados dentro do Legislativo alagoano: a Operação Sururugate.

Deflagrada pela Polícia Federal em 2017, a operação revelou suspeitas de um esquema milionário envolvendo servidores fantasmas, uso de laranjas e pagamentos irregulares na folha da Assembleia Legislativa. As investigações apontaram discrepâncias entre o número de funcionários informados a órgãos federais e a quantidade real de servidores existentes na Casa.

Segundo a PF, beneficiários de programas sociais, agricultores e pessoas que sequer sabiam estar vinculadas à Assembleia apareciam como funcionários recebendo salários elevados. O prejuízo investigado ultrapassou a casa dos R$ 150 milhões.

Ao longo dos anos, novas fases da investigação e denúncias sobre servidores fantasmas continuaram surgindo, mantendo o tema vivo no debate público alagoano.

Agora, quase uma década após a Sururugate e quatro anos depois da apreensão da mala com R$ 146,6 mil, a Assembleia Legislativa volta a enfrentar questionamentos diante do crescimento da folha de cargos comissionados e dos elevados gastos com gratificações.

A soma dos episódios — da operação da Polícia Federal em 2022 ao desembolso de quase R$ 110 milhões em gratificações em 2026 — mantém sob observação a gestão da Casa comandada por Marcelo Victor, uma das figuras mais influentes da política alagoana e aliado histórico do grupo liderado pelo senador Renan Calheiros.

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