31 de julho de 2025
QUASE R$ 110 MILHÕES

Gastos da Assembleia de Alagoas com gratificações em 2026 reacendem lembranças da Operação Sururugate

Presidida por Marcelo Victor, ALE registrou mais de 300 nomeações em pouco mais de um mês; histórico de investigações sobre a folha de pagamento volta ao debate

Por Redação
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O presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Vitor, e o governador Paulo Dantas - Foto: Reprodução

A Assembleia Legislativa de Alagoas (ALE), presidida pelo deputado estadual Marcelo Victor (MDB), já desembolsou R$ 109.900.972,91 apenas com gratificações pelo exercício de cargos em comissão nos quatro primeiros meses de 2026. Os dados constam no Balancete da Despesa da própria Casa e revelam o peso da estrutura de cargos comissionados no orçamento do Legislativo estadual.

O valor aparece na rubrica “Gratificação pelo Exercício de Cargo em Comissão (RGPS)”, que registra R$ 118.232.722,23 empenhados e R$ 109.900.972,91 efetivamente pagos até o período analisado.

Os números ganham ainda mais destaque diante das recentes movimentações promovidas na estrutura administrativa da Casa de Tavares Bastos. Apenas em maio foram registradas 187 nomeações para cargos comissionados. Já nos primeiros onze dias de junho, os Diários Oficiais da Assembleia contabilizaram outras 118 nomeações e 39 exonerações, mantendo o ritmo acelerado de mudanças no quadro de servidores de livre nomeação.

Entre os cargos utilizados nas nomeações está o de Assessor Administrativo Especial (SP-25), cuja remuneração base é de R$ 11.779,70. Com a inclusão de vantagens previstas na legislação interna da Assembleia, como a Gratificação de Dedicação Excepcional (GDE), os vencimentos podem chegar a R$ 23.559,40, dependendo da situação funcional do ocupante.

Além dos quase R$ 110 milhões pagos apenas com gratificações relacionadas aos cargos em comissão, o balancete aponta que a Assembleia Legislativa já desembolsou R$ 204.791.185,42 em despesas totais nos primeiros meses deste ano.

Histórico de investigações sobre a folha da Assembleia

Os elevados gastos com cargos comissionados também trazem à memória um dos maiores escândalos envolvendo a estrutura administrativa do Legislativo alagoano. Em 2017, a Polícia Federal deflagrou a Operação Sururugate para investigar suspeitas de funcionários fantasmas, utilização de "laranjas" na folha de pagamento e desvios de recursos públicos na Assembleia Legislativa de Alagoas.

Segundo as investigações, foram identificadas divergências entre os números de servidores informados pela Assembleia a diferentes órgãos públicos. Enquanto a Caixa Econômica Federal registrava aproximadamente 2.400 funcionários vinculados à Casa, os dados encaminhados ao Ministério do Trabalho apontavam cerca de 800 servidores.

As apurações também identificaram pessoas cadastradas em programas sociais do governo federal figurando na folha de pagamento do Legislativo. Em diversos casos investigados, pessoas afirmaram sequer saber que constavam como servidoras da Assembleia. Outras admitiram ter emprestado documentos para integrarem o esquema, recebendo apenas pequenas quantias enquanto salários muito superiores eram registrados oficialmente.

Em 2018, a Operação Malacafa, considerada um desdobramento da Sururugate, aprofundou as investigações sobre a utilização de servidores fantasmas e possíveis desvios milionários envolvendo a folha da Casa.

Já em 2024, o Ministério Público de Alagoas instaurou procedimento para apurar novas denúncias relacionadas à suposta existência de servidores fantasmas na Assembleia Legislativa.

Sob a gestão de Marcelo Victor, a Assembleia mantém uma das maiores estruturas administrativas do Estado, com centenas de cargos de livre nomeação e uma despesa que ultrapassa R$ 204 milhões apenas nos primeiros quatro meses do ano.

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