31 de julho de 2025
investigação

PM é investigada por furtar colega dentro de batalhão e usar cartão da vítima em Alagoas

Inquérito apura suposto furto de carteira funcional e movimentações financeiras registradas dentro de batalhão em Delmiro Gouveia

Por Redação
Publicado em
Vítima e investigada estavam de serviço e dividiam o mesmo alojamento feminino - Foto: Reprodução

A Corregedoria da Polícia Militar de Alagoas instaurou um Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar a conduta da cabo Daiana da Silva Rocha. A policial é investigada por suspeita de furtar uma carteira funcional e cartões bancários pertencentes a outra cabo da corporação. O caso ocorreu em 22 de dezembro de 2025, nas dependências do 9º Batalhão da Polícia Militar, no município de Delmiro Gouveia.

Segundo os autos, a vítima e a investigada estavam de serviço e utilizavam o mesmo alojamento feminino. A policial relatou que percebeu o desaparecimento dos pertences quando se preparava para retornar a Maceió. De acordo com o depoimento, a bolsa permaneceu sem vigilância apenas durante o horário de almoço e enquanto ela dormia, já que o local não possuía armários individuais.

Horas depois, a vítima recebeu notificações informando movimentações financeiras em seu cartão de débito sem autorização. As transações ocorreram em sequência e totalizaram R$ 450, distribuídos em três operações de R$ 120, R$ 150 e R$ 180.

As investigações realizadas pela Polícia Civil identificaram que os valores foram direcionados para uma conta cadastrada na plataforma de pagamentos Infinite Pay. A titular formal da conta seria uma mulher residente em Minas Gerais. No entanto, a análise dos dados apontou a existência de endereços eletrônicos vinculados ao cadastro, entre eles um e-mail que, segundo a apuração, estaria relacionado à cabo investigada.

Diligências complementares indicaram que o endereço eletrônico possuía um telefone de recuperação com prefixo de Alagoas. O mesmo número, conforme o relatório, estaria associado à conta bancária pessoal da policial e também apareceu em registros de aplicativos e documentos analisados durante a investigação.

O oficial de dia do 9º Batalhão informou que a cabo solicitou liberação antecipada do serviço na manhã em que ocorreram as transações. Conforme o relato, ela alegou a necessidade de embarcar em um transporte rodoviário com destino à Bahia entre 6h e 6h30. As movimentações financeiras tiveram início às 5h58, pouco antes do horário informado.

O relatório também registra que a policial figura como suposta autora em boletins de ocorrência registrados na Bahia relacionados ao crime de estelionato. Em um dos registros, uma vítima relata prejuízo financeiro após transferências realizadas em contato com perfis falsos.

De acordo com a investigação, existem indícios de que um dispositivo associado à cabo era utilizado para operar a conta que recebeu os valores. Diante disso, a autoridade responsável expediu carta precatória à Polícia Militar de Minas Gerais para ouvir a mulher cadastrada como titular da conta. O objetivo é esclarecer se ela tinha conhecimento da utilização de seus dados ou se teria emprestado a conta a terceiros.

A conduta investigada foi enquadrada, em tese, nos crimes de furto qualificado, estelionato e prevaricação. O procedimento segue em andamento e deverá reunir novos depoimentos e elementos antes da conclusão do inquérito.