31 de julho de 2025
SÃO PAULO

MPSP denuncia Deolane Bezerra por suposta ligação com o PCC e aponta movimentação de mais de R$ 140 milhões

Promotoria afirma que influenciadora e empresas familiares teriam sido usadas em esquema de lavagem de dinheiro ligado à facção criminosa

Por Redação
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Ministério Público de São Paulo denunciou Deolane Bezerra por suposta participação em esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC. - Foto: Reprodução/Instagram

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) denunciou a influenciadora digital e empresária Deolane Bezerra por suposta participação em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo a denúncia apresentada nesta quarta-feira (11), empresas vinculadas à influenciadora movimentaram mais de R$ 140 milhões entre julho de 2022 e maio de 2024.

De acordo com a Promotoria, as investigações apontam que Deolane, familiares e empresas do grupo teriam sido utilizados para ocultar e dar aparência de legalidade a recursos supostamente provenientes das atividades da organização criminosa.

Além da influenciadora, foram denunciados o filho adotivo Giliard Vidal dos Santos e as empresas Bezerra Publicidade e Comunicação Ltda., Deolane Bezerra Comércio e Serviços Ltda. e Bezerra Produções Artísticas Ltda., entre outras pessoas físicas e jurídicas investigadas no caso.

Segundo o Ministério Público, somente em nome de Deolane teriam circulado mais de R$ 40 milhões. Desse total, aproximadamente metade dos recursos movimentados não teria origem identificada pelas autoridades.

A denúncia sustenta que algumas empresas ligadas à influenciadora apresentariam características de empresas de fachada, por estarem registradas em imóveis sem estrutura operacional compatível com o volume financeiro movimentado e sem atividade econômica declarada compatível com os valores envolvidos.

Os promotores afirmam ainda que relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificaram operações consideradas incompatíveis com a capacidade financeira declarada dos investigados, além de movimentações fragmentadas, depósitos pulverizados e uso frequente de transferências via Pix.

Para o MPSP, houve uma evolução patrimonial considerada atípica e sem lastro contábil suficiente para justificar os valores movimentados. A Promotoria também argumenta que a notoriedade da influenciadora nas redes sociais teria contribuído para conferir aparência de legalidade aos recursos investigados.

Outro ponto destacado na denúncia é a ausência de documentos que comprovem parte das receitas apontadas, como contratos formais de publicidade, influência digital ou honorários advocatícios compatíveis com os valores movimentados.

Relação com familiares de Marcola

A denúncia também menciona fotografias e registros publicados nas redes sociais que, segundo os investigadores, demonstrariam proximidade entre Deolane Bezerra e integrantes da família de Marcos Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola, apontado pelas autoridades como líder máximo do PCC.

Entre os registros analisados estão imagens da influenciadora ao lado de familiares de Marcola, incluindo parentes próximos de seu irmão, Alejandro Juvenal Herbas Camacho. Para os investigadores, as fotografias indicariam uma convivência frequente e não apenas contatos ocasionais.

Prisões e bloqueio de bens

O Ministério Público solicitou à Justiça a manutenção das prisões preventivas dos denunciados, alegando necessidade de garantir a ordem pública e interromper as atividades investigadas. Também foi pedido o bloqueio e o sequestro de bens considerados incompatíveis com a renda declarada dos envolvidos.

Além de Deolane, foram denunciados por organização criminosa e lavagem de dinheiro o próprio Marcola, seu irmão Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior, os sobrinhos Paloma Sanches Herbas Camacho e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, além de Everton de Souza, conhecido como "Player" ou "Temer", apontado como operador financeiro da facção.

Como começou a investigação

Segundo a denúncia, a investigação teve início em 2019, após a apreensão de bilhetes em uma penitenciária de Presidente Venceslau, no interior paulista. Os documentos continham informações sobre a estrutura interna do PCC e possíveis ações criminosas planejadas pela organização.

Posteriormente, uma operação denominada "Lado a Lado", deflagrada em 2021, identificou uma transportadora supostamente utilizada como braço financeiro da facção. Durante as investigações, surgiram indícios de movimentações financeiras relacionadas a Deolane Bezerra, o que levou ao aprofundamento das apurações.

A partir daí, a Polícia Civil e o Ministério Público passaram a investigar movimentações patrimoniais, aquisições de bens de alto valor e possíveis conexões entre pessoas ligadas à influenciadora e integrantes da organização criminosa.

A defesa de Deolane Bezerra ainda poderá apresentar manifestação à Justiça. Os fatos narrados na denúncia representam acusações formuladas pelo Ministério Público e ainda dependem de análise do Poder Judiciário, garantindo-se aos investigados o direito à ampla defesa e ao contraditório.