31 de julho de 2025
Que situação!

Sem remédio de R$ 14 mil do Estado, idosa de 90 anos agoniza com asma crônica em Alagoas

Associação Médica denuncia desabastecimento generalizado de medicamentos de alto custo na Farmex; pacientes com doenças graves correm risco de morte

Por Redação
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Sem remédio fornecido pelo Estado, idosa de 90 anos tem asma agravada - Foto: Reprodução

Há quase seis meses, Dona Sebastiana dos Santos, de 90 anos, não sabe o que é passar uma noite inteira de sono sem sufocar. O sofrimento da idosa começou em janeiro deste ano, quando o Governo de Alagoas simplesmente interrompeu o fornecimento do medicamento de uso contínuo que ela precisa para controlar um quadro grave de asma.

A medicação em questão é o Mepolizumabe. Cada dose mensal custa cerca de R$ 14 mil, um valor totalmente fora da realidade da família. O remédio deveria ser entregue regularmente pela Farmácia de Alto Custo (Ceaf, antiga Farmex), órgão vinculado à Secretaria de Estado da Saúde (Sesau).

A filha da idosa, Albanir Pereira, relata que a família já precisou recorrer à Defensoria Pública no ano passado para conseguir o tratamento, logo após a mãe passar 30 dias internada — sendo 10 deles intubada na UTI. O Estado cumpriu a decisão judicial entre agosto e dezembro, mas cortou o fornecimento na virada do ano.

Segundo o pneumologista Aldo Agra, que acompanha a idosa, a interrupção abrupta fez a doença sair totalmente do controle.

“A descontinuidade no fornecimento tem causado prejuízos graves à saúde dos pacientes, com piora clínica significativa, aumento de internações e risco concreto de óbito. Trata-se de uma falha assistencial grave e afronta ao direito constitucional à saúde”, afirmou o médico.

Apagão de remédios de alto custo

O drama de Dona Sebastiana não é um caso isolado. Na condição de presidente da Associação Alagoana de Doenças do Tórax (AADT), o médico Aldo Agra encaminhou um ofício de alerta máximo à Sesau denunciando um verdadeiro "apagão" de remédios de alto custo no estado.

O documento aponta que pacientes com Hipertensão Arterial Pulmonar e fibrose pulmonar estão há cerca de um ano sem acesso regular a drogas como ambrisentana e nintedanibe. Além disso, faltam remédios essenciais para quem sofre de Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) grave.

O que diz o Governo

Procurada pela reportagem, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) se limitou a enviar uma nota de esclarecimento justificando o atraso por entraves burocráticos.

O órgão informou que o processo de licitação para a compra do Mepolizumabe finalmente foi concluído e que o estado agora trabalha na emissão das notas de empenho para que a empresa vencedora entregue o lote. A secretaria prometeu que, "em breve", o medicamento voltará a ser distribuído para os pacientes cadastrados, mas evitou estipular uma data exata para que o remédio chegue às mãos de quem está sem respirar direito há seis meses.

As informações deste caso foram apuradas e reportadas originalmente pelas jornalistas Vanessa Alencar e Gabriela Flores, do Cada Minuto.