31 de julho de 2025
FEMINICÍDIO

PM aposenta tenente-coronel preso por feminicídio da esposa em São Paulo

Oficial acusado da morte da soldado Gisele Alves Santana foi transferido para a reserva, mas continua respondendo aos processos criminal e disciplinar

Por Redação
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Policial militar preso pela morte da esposa é aposentado pela corporação - Foto: Divulgação

A Polícia Militar de São Paulo oficializou a transferência para a reserva do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, preso preventivamente sob acusação de feminicídio e fraude processual. Na estrutura militar, a medida equivale à aposentadoria.

O despacho foi publicado no Diário Oficial do Estado nesta terça-feira (9) e é assinado pelo diretor de Inatividade e Pensão Militar, coronel Antonio Thomazelli Júnior. Embora a decisão já tivesse sido anunciada anteriormente por meio de portaria, a oficialização ocorreu agora.

Geraldo Rosa Neto está preso desde 18 de março deste ano. Ele é acusado de matar a esposa, a soldado da PM Gisele Alves Santana, encontrada morta com um tiro na cabeça no apartamento onde o casal morava, na capital paulista.

Inicialmente, o oficial relatou o caso como suicídio. No entanto, a investigação apontou inconsistências na versão apresentada. Laudos do Instituto Médico Legal (IML) identificaram marcas de agressão incompatíveis com suicídio, levando as autoridades a tratarem o caso como feminicídio.

A decisão de transferir o oficial para a reserva gerou críticas da defesa da família da vítima. O advogado Miguel José da Silva Junior afirmou que a rapidez do processo causa estranheza e argumentou que o acusado não deveria continuar recebendo remuneração custeada pelos cofres públicos.

Em nota, a Polícia Militar informou que a aposentadoria ocorreu de acordo com a legislação vigente e não interfere nas apurações em andamento. Segundo a corporação, uma eventual perda do posto, da patente e dos vencimentos depende de decisão definitiva do Tribunal de Justiça Militar do Estado de São Paulo.

A PM informou ainda que o Inquérito Policial Militar (IPM) já foi concluído e encaminhado à Justiça. Paralelamente, segue em andamento um Conselho de Justificação, procedimento administrativo que poderá resultar na exclusão definitiva do oficial dos quadros da corporação.