31 de julho de 2025
saúde

Cosmeticorexia: saiba os riscos da obsessão por skincare na infância

Especialistas apontam riscos físicos e psicológicos em rotina de cuidados com cosméticos na infância e adolescência

Por Redação
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Imagem ilustrativa - Foto: Freepik

Nas redes sociais, vídeos com crianças realizando rotinas de skincare têm se tornado frequentes. Em muitos casos, meninas mostram o uso de cosméticos e etapas de cuidados com a pele após a escola.

O aumento do consumo de produtos de beleza por crianças e adolescentes ocorre em um cenário diferente do passado, quando os itens de cuidado da pele eram voltados principalmente para higiene básica ou tratamento de acne.

Atualmente, a busca por padrões de pele, como o chamado “glass skin”, tem ampliado o uso de cosméticos em faixas etárias mais jovens. Esse movimento é associado ao termo “cosmeticorexia”, relacionado ao uso excessivo de produtos para a pele.

Um levantamento citado por fabricantes de cosméticos indica que crianças entre 9 e 12 anos utilizam múltiplos produtos semanalmente. Parte delas relata uso com objetivo de corrigir características da própria pele.

O comportamento associado à cosmeticorexia é descrito como preocupação constante com a aparência da pele. Em estudos com crianças e adolescentes, foram identificados casos de uso de diversos produtos diários e redução de interação social em alguns grupos.

Entre os riscos físicos apontados por especialistas estão irritações, dermatite, alergias, ressecamento e aumento da sensibilidade solar. Produtos com retinol, ácidos e vitamina C são citados como fatores de atenção quando utilizados sem orientação médica.

No campo psicológico, estudos indicam relação entre padrões estéticos e ansiedade, além de associação com transtorno dismórfico corporal em parte dos adolescentes.

A orientação médica para crianças e adolescentes envolve rotina com poucos produtos, incluindo limpeza suave da pele, hidratação e uso de protetor solar.

A dermatologista Natasha Crepaldi afirma que o aumento da preocupação estética entre crianças está ligado à influência de conteúdos digitais e padrões de beleza.

Segundo ela, parte dos pacientes chega aos consultórios com rotinas de skincare copiadas de redes sociais, mesmo sem necessidade clínica.

O dermatologista e professor Ademar Schultz aponta que o uso combinado de múltiplos produtos pode aumentar o risco de reações cutâneas e alergias, além de efeitos sobre a barreira da pele em desenvolvimento.

A pesquisadora Brooke Erin Duffy relaciona o fenômeno à ampliação da pressão estética para faixas etárias mais jovens, com influência de empresas do setor de cosméticos e conteúdo digital.

Especialistas defendem que marcas e plataformas digitais devem adotar medidas de orientação sobre uso de cosméticos por faixa etária e limitar a exposição de conteúdos voltados a crianças.

A recomendação geral é que o skincare em crianças seja tratado como cuidado de saúde da pele, com foco em proteção e prevenção, e não como prática estética voltada a padrões de aparência.