Alagoas acumula R$ 754 milhões em dívidas e mais de 64 mil empresas estão no vermelho
Mais de 64 mil empresas alagoanas estão com contas em atraso; valor médio da dívida por CNPJ é o menor do Nordeste
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Alagoas encerrou o mês de abril com 64.335 empresas inadimplentes e um total de 259.699 dívidas negativadas, segundo levantamento divulgado pela Serasa Experian. Juntas, as pendências financeiras somam R$ 754,1 milhões, refletindo os desafios enfrentados pelo setor produtivo diante dos juros elevados e das dificuldades de acesso ao crédito.
Os dados mostram que cada empresa alagoana possui, em média, quatro débitos em aberto. O valor médio da dívida por CNPJ chegou a R$ 11.722,73, o menor entre os estados do Nordeste. Já cada débito negativado tem valor médio de R$ 2.904,06.
Apesar de apresentar os menores índices médios da região, o número de empresas com restrições financeiras acende um alerta para a economia alagoana. O volume representa milhares de negócios enfrentando dificuldades para manter fornecedores, financiamentos e compromissos fiscais em dia.
No ranking nordestino, Alagoas aparece atrás de estados como Bahia, Pernambuco e Ceará em quantidade de empresas inadimplentes. A Bahia lidera a lista com 326.255 empresas negativadas, seguida por Pernambuco, com 212.110, e Ceará, com 190.849.
Em todo o Nordeste, foram registradas 1,18 milhão de empresas inadimplentes, acumulando mais de 6,2 milhões de dívidas que somam aproximadamente R$ 18,6 bilhões.
Brasil bate recorde de inadimplência empresarial
O cenário nacional também preocupa. Pela primeira vez, o Brasil ultrapassou a marca de 9 milhões de empresas negativadas. Segundo a Serasa Experian, são 63,7 milhões de dívidas em aberto, totalizando R$ 220,9 bilhões.
De acordo com a economista-chefe da instituição, Camila Abdelmalack, a combinação de juros elevados, crédito mais restrito e desaceleração econômica continua pressionando o caixa das empresas e dificultando a recuperação financeira de pequenos, médios e grandes negócios.
Especialistas apontam que a inadimplência empresarial pode impactar diretamente a geração de empregos, investimentos e o crescimento econômico, especialmente em estados com forte presença de micro e pequenas empresas, como Alagoas.
Com o cenário ainda desafiador, empresários seguem buscando renegociações e alternativas para reorganizar as finanças e evitar o agravamento das restrições de crédito.