Novo vídeo expõe superlotação na Maternidade Santa Mônica e amplia crise na saúde pública de Alagoas
Pacientes ocupam corredores, falta de equipamentos essenciais preocupa médicos e denúncias levantam questionamentos sobre prioridades da saúde estadual
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A divulgação de um novo vídeo mostrando pacientes internadas em corredores da Maternidade Escola Santa Mônica, em Maceió, reacendeu o debate sobre as condições de funcionamento da principal unidade de referência para gestação de alto risco em Alagoas. As imagens, gravadas por uma paciente e exibidas pelo Jornal da Francês, revelam um cenário de superlotação, com mulheres recebendo medicação em macas instaladas em áreas de circulação, enquanto profissionais de saúde convivem diariamente com uma estrutura considerada insuficiente para a demanda.
A situação ocorre em meio a uma série de denúncias feitas por médicos e pelo Sindicato dos Médicos de Alagoas (Sinmed-AL), que apontam falta de equipamentos fundamentais para o acompanhamento de gestantes de alto risco e recém-nascidos.
Durante a exibição das imagens, o jornalista Abidias Martins cobrou providências da direção da maternidade, da Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas (Uncisal), responsável pela gestão da unidade, e da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau).
“É inadmissível que mulheres, muitas delas em situações delicadas, continuem sendo atendidas nos corredores de uma maternidade de referência. Estamos falando de dignidade, respeito e segurança para pacientes e profissionais de saúde”, afirmou.
Falta de equipamentos preocupa profissionais
As denúncias sobre a estrutura da Santa Mônica não se limitam à superlotação. A presidente do Sinmed-AL, médica Silvia Melo, denunciou recentemente que o único aparelho de ultrassonografia utilizado para exames de doppler obstétrico está sem funcionamento desde o início de maio.
O exame é considerado indispensável para o acompanhamento de gestações de alto risco, especialmente em casos de hipertensão gestacional, restrição de crescimento fetal e outras complicações que podem colocar em risco a vida da mãe e do bebê.
“Sem esse exame, uma maternidade de alto risco coloca em risco a vida de bebês prematuros”, alertou Silvia Melo durante entrevista ao Jornal da Francês.
Além disso, segundo o sindicato, a reveladora do aparelho de raio-X da unidade também está quebrada desde março. Com isso, exames realizados na maternidade precisam ser encaminhados para o Hospital Universitário, provocando atrasos na obtenção dos resultados e comprometendo a rapidez de diagnósticos em setores críticos, como a UTI Neonatal e a UTI Materna.
Pacientes em poltronas e corredores
Outro problema relatado pelos profissionais é a superlotação crônica da unidade.
Segundo a presidente do Sinmed, a estrutura da maternidade foi planejada para atender determinado número de pacientes, mas frequentemente opera acima da capacidade. Em diversos momentos, mulheres permanecem acomodadas em poltronas, macas improvisadas e corredores por falta de leitos disponíveis.
A situação também afeta acompanhantes, que muitas vezes permanecem em áreas externas ou improvisadas enquanto aguardam informações sobre pacientes internadas.
“Temos equipes dimensionadas para uma quantidade específica de leitos, mas frequentemente encontramos mais de dez pacientes extras internadas sem estrutura adequada”, afirmou Silvia Melo.
Gestantes transferidas para outras unidades
Para minimizar os impactos da falta do equipamento de ultrassonografia, médicos conseguiram autorização para realizar alguns exames no Hospital da Mulher durante o período noturno.
Entretanto, a solução é considerada paliativa e insuficiente, já que exige o deslocamento de pacientes de alto risco entre unidades hospitalares.
Segundo relatos apresentados pelo sindicato, houve situações em que a condição clínica da paciente impediu a transferência para realização dos exames necessários.
Repasse milionário gera questionamentos
As denúncias ganharam ainda mais repercussão após a publicação de uma portaria da Secretaria de Estado da Saúde autorizando o repasse de R$ 7 milhões ao município de Batalha, no Sertão alagoano.
O recurso foi destinado ao custeio de ações e serviços de Média e Alta Complexidade (MAC), conforme publicação oficial no Diário Oficial do Estado.
Embora a transferência esteja dentro dos mecanismos legais de financiamento do Sistema Único de Saúde (SUS), o repasse provocou questionamentos entre profissionais da saúde e parte da população diante das dificuldades enfrentadas pela principal maternidade de alto risco do estado.
Críticos apontam que a recuperação dos equipamentos atualmente inoperantes na Santa Mônica demandaria investimentos significativamente menores que os valores transferidos ao município sertanejo.
Órgãos já foram acionados
De acordo com o Sinmed, os problemas enfrentados pela maternidade já foram comunicados ao Ministério Público de Alagoas, à Defensoria Pública do Estado, ao Conselho Regional de Medicina e à própria Secretaria de Estado da Saúde.
Até o momento, profissionais da unidade afirmam aguardar medidas efetivas para solucionar os problemas estruturais e garantir condições adequadas de atendimento às gestantes e recém-nascidos atendidos na maternidade.
Enquanto isso, novos vídeos e denúncias continuam surgindo, aumentando a pressão sobre os gestores responsáveis por uma das mais importantes unidades de saúde pública de Alagoas.