31 de julho de 2025
levantamento

Estudo aponta que desemprego entre mulheres negras jovens chega a 24,7%

Relatório com dados da PNAD Contínua 2025 mostra desigualdades por raça, gênero e idade no Brasil

Por Redação
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Imagem ilustrativa - Foto: Freepik/Magnific

Mesmo com melhora recente nos indicadores gerais do mercado de trabalho, com redução do desemprego e aumento da renda média, mulheres negras jovens seguem com piores resultados em desocupação, informalidade, desalento e rendimento no Brasil.

Os dados fazem parte de relatório da Rede Multiatores MUDE com Elas, elaborado pelo Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (Ceert), com base na PNAD Contínua 2025, pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O estudo indica que as desigualdades aparecem desde a adolescência. Entre 14 e 17 anos, a taxa de desocupação de mulheres negras chega a 24,7%. Entre 18 e 24 anos, a taxa é de 16,5%, e entre 25 e 29 anos é de 10,3%.

Na comparação com outros grupos, a taxa de desocupação de mulheres negras é maior que a de homens brancos em todas as faixas etárias analisadas.

O levantamento também aponta diferença na renda. Em 2025, o rendimento médio de mulheres negras corresponde a 46,5% do rendimento de homens brancos.

A informalidade entre jovens negras é de 39,1%, acima da observada entre jovens brancas. Entre jovens homens negros, o índice é de 44,2%.

O estudo também mede o desalento, que se refere a pessoas que deixam de procurar trabalho. Mulheres negras representam 38,7% dos jovens nessa condição. Entre homens negros, o índice é de 36,1%.

Na Região Metropolitana de São Paulo, os dados mostram diferença de renda. Mulheres negras de 25 a 29 anos recebem R$ 2.569, enquanto homens brancos recebem R$ 5.323.

A coordenadora da Rede Multiatores pelo Ceert, Shirley Santos, afirma que os dados indicam desigualdades estruturais ligadas a raça, gênero, território e acesso a oportunidades. Ela cita fatores como discriminação, acesso a redes de trabalho e sobrecarga de trabalho de cuidado.

O relatório também analisa políticas públicas. Segundo o estudo, cotas e ações de inclusão têm impacto, mas não são suficientes para reduzir as desigualdades.

Entre as medidas citadas estão cotas raciais e sociais, permanência estudantil, acesso à creche, qualificação profissional, políticas de diversidade no setor privado, ações para periferias urbanas e programas de transferência de renda com inclusão produtiva.

O estudo conclui que o enfrentamento das desigualdades no mercado de trabalho depende de políticas estruturais e de participação institucional e social.