Operação encontra fábrica clandestina de cigarros no Grande Recife e resgata 25 paraguaios em situação análoga à escravidão
Ação conjunta da Sefaz, Polícia Federal e Polícia Militar resultou em 19 prisões e apreensão de toneladas de cigarros falsificados no Cabo de Santo Agostinho
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Uma operação conjunta realizada nesta quinta-feira (5) no Grande Recife desarticulou uma fábrica clandestina de cigarros falsificados e revelou um cenário de exploração de trabalhadores estrangeiros em condições análogas à escravidão. A ação ocorreu em um condomínio localizado no distrito de Pontezinha, no município do Cabo de Santo Agostinho, na Região Metropolitana do Recife.
Ao todo, 19 pessoas foram presas durante a operação, que foi coordenada pela Secretaria da Fazenda de Pernambuco (Sefaz-PE), com apoio da Polícia Federal e da Polícia Militar.
Além da produção ilegal de cigarros, os agentes encontraram cerca de 25 trabalhadores paraguaios vivendo em condições precárias de alojamento e trabalho. Os estrangeiros foram encaminhados para a sede da Polícia Federal, no Recife, onde a situação será investigada.
Segundo a Sefaz-PE, a descoberta foi resultado de um trabalho de inteligência que monitorava atividades suspeitas relacionadas à fabricação e distribuição ilegal de cigarros no estado.
Durante a operação, os fiscais encontraram grande quantidade de cigarros já embalados e prontos para comercialização, além de matéria-prima, insumos e maquinários utilizados na produção.
De acordo com as investigações iniciais, a fábrica produzia a marca de cigarros denominada "Eight", destinada à distribuição no mercado pernambucano.
“O produto não possuía selo de controle fiscal, o que já caracteriza irregularidade”, informou a Secretaria da Fazenda.
Um dos aspectos que mais chamou a atenção das autoridades foi a situação dos trabalhadores paraguaios encontrados no local.
Segundo o auditor fiscal João de Paula, responsável por uma unidade avançada da Sefaz-PE, os estrangeiros estavam submetidos a condições extremamente precárias de moradia e alojamento.
“Quando chegamos ao local, encontramos dormitórios improvisados e condições incompatíveis com a dignidade humana”, afirmou o auditor em entrevista à imprensa.
A Polícia Federal ficará responsável pela apuração das possíveis violações trabalhistas, migratórias e criminais envolvendo os trabalhadores resgatados.
As autoridades agora trabalham para identificar os responsáveis pela estrutura clandestina e levantar há quanto tempo a fábrica operava na região.
A Secretaria da Fazenda iniciou a análise de contratos, documentos e registros financeiros para determinar a dimensão do esquema e os prejuízos causados aos cofres públicos.
Além da sonegação fiscal, a produção clandestina de cigarros é frequentemente associada a organizações criminosas que atuam no contrabando, falsificação de produtos e exploração de mão de obra.