31 de julho de 2025
CONGRESSO

Proposta do fim da escala 6x1 pode enfrentar atraso no Senado após sinalização de Alcolumbre

Presidente da Casa avalia ampliar tramitação da PEC, medida sem precedentes desde a Constituição de 1988 e que preocupa governistas

Por Redação
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PEC que prevê o fim da escala 6x1 pode enfrentar novo rito de tramitação no Senado, gerando preocupação entre aliados do governo. - Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

A tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6x1 entrou no centro de uma disputa política no Senado Federal. A possibilidade de o texto passar por uma comissão especial ou por mais de um colegiado, sugerida pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), acendeu um sinal de alerta entre parlamentares da base governista, que veem na medida uma possível estratégia para retardar a votação da proposta.

A PEC foi aprovada recentemente pela Câmara dos Deputados e chegou ao Senado cercada de expectativa por parte do governo federal, que pretende acelerar sua tramitação. No entanto, declarações de Alcolumbre indicam que o caminho poderá ser mais longo do que o previsto inicialmente.

Durante sessão plenária, o presidente do Senado afirmou que pretende discutir com os líderes partidários qual será o rito adotado para a análise da matéria. Segundo ele, alguns parlamentares defenderam a criação de uma comissão especial para aprofundar o debate.

Medida seria inédita no Senado

De acordo com informações da própria assessoria do Senado, não há registro, desde a promulgação da Constituição Federal de 1988, de uma PEC aprovada que tenha tramitado por outra comissão além da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

Pelas regras atuais do Senado, propostas de emenda à Constituição passam obrigatoriamente pela CCJ, responsável por analisar tanto a constitucionalidade quanto o mérito da matéria. Após essa etapa, o texto segue diretamente para votação em plenário.

O modelo difere do adotado na Câmara dos Deputados, onde as PECs passam primeiro pela Comissão de Constituição e Justiça e, posteriormente, por uma comissão especial antes de serem apreciadas pelo plenário.

Especialistas consultados nos bastidores do Congresso avaliam que qualquer tentativa de ampliar a tramitação exigiria adaptações regimentais e poderia aumentar significativamente o tempo de análise da proposta.

Governo teme impacto no calendário político

A possibilidade de atraso preocupa aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O governo trabalha com a expectativa de que a PEC seja promulgada ainda nos próximos meses para que seus efeitos possam começar a ser implementados antes do período eleitoral.

O texto aprovado pela Câmara prevê que o fim da escala 6x1 entre em vigor 60 dias após a promulgação da emenda constitucional.

Parlamentares governistas argumentam que a proposta foi amplamente debatida pelos deputados e que o Senado poderia concluir sua análise sem necessidade de novas etapas.

O senador Paulo Paim (PT-RS) afirmou que nunca presenciou, ao longo de seus mandatos na Casa, uma PEC sendo submetida a múltiplas comissões antes da votação final.

Empresários defendem debate mais amplo

Enquanto o governo pressiona por celeridade, setores empresariais defendem que a proposta seja discutida de forma mais aprofundada.

Representantes do setor produtivo manifestam preocupação com os impactos econômicos da mudança na jornada de trabalho e defendem que o Senado promova audiências e amplie o debate antes da deliberação definitiva.

Nos bastidores, também circula a avaliação de que Alcolumbre busca reforçar a independência institucional do Senado, evitando que a Casa seja vista apenas como uma instância de confirmação das decisões tomadas pela Câmara.

Decisão será tomada na próxima semana

A definição sobre o rito da PEC deverá ocorrer em reunião de líderes marcada para a próxima terça-feira (10).

No encontro, além da tramitação, os senadores também devem discutir a escolha do relator responsável pela análise da proposta.

Até lá, a expectativa é que as articulações políticas se intensifiquem em torno de uma das pautas mais relevantes do Congresso Nacional neste ano, com impacto direto sobre milhões de trabalhadores e empregadores em todo o país.