Proposta do fim da escala 6x1 pode enfrentar atraso no Senado após sinalização de Alcolumbre
Presidente da Casa avalia ampliar tramitação da PEC, medida sem precedentes desde a Constituição de 1988 e que preocupa governistas
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A tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6x1 entrou no centro de uma disputa política no Senado Federal. A possibilidade de o texto passar por uma comissão especial ou por mais de um colegiado, sugerida pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), acendeu um sinal de alerta entre parlamentares da base governista, que veem na medida uma possível estratégia para retardar a votação da proposta.
A PEC foi aprovada recentemente pela Câmara dos Deputados e chegou ao Senado cercada de expectativa por parte do governo federal, que pretende acelerar sua tramitação. No entanto, declarações de Alcolumbre indicam que o caminho poderá ser mais longo do que o previsto inicialmente.
Durante sessão plenária, o presidente do Senado afirmou que pretende discutir com os líderes partidários qual será o rito adotado para a análise da matéria. Segundo ele, alguns parlamentares defenderam a criação de uma comissão especial para aprofundar o debate.
Medida seria inédita no Senado
De acordo com informações da própria assessoria do Senado, não há registro, desde a promulgação da Constituição Federal de 1988, de uma PEC aprovada que tenha tramitado por outra comissão além da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
Pelas regras atuais do Senado, propostas de emenda à Constituição passam obrigatoriamente pela CCJ, responsável por analisar tanto a constitucionalidade quanto o mérito da matéria. Após essa etapa, o texto segue diretamente para votação em plenário.
O modelo difere do adotado na Câmara dos Deputados, onde as PECs passam primeiro pela Comissão de Constituição e Justiça e, posteriormente, por uma comissão especial antes de serem apreciadas pelo plenário.
Especialistas consultados nos bastidores do Congresso avaliam que qualquer tentativa de ampliar a tramitação exigiria adaptações regimentais e poderia aumentar significativamente o tempo de análise da proposta.
Governo teme impacto no calendário político
A possibilidade de atraso preocupa aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O governo trabalha com a expectativa de que a PEC seja promulgada ainda nos próximos meses para que seus efeitos possam começar a ser implementados antes do período eleitoral.
O texto aprovado pela Câmara prevê que o fim da escala 6x1 entre em vigor 60 dias após a promulgação da emenda constitucional.
Parlamentares governistas argumentam que a proposta foi amplamente debatida pelos deputados e que o Senado poderia concluir sua análise sem necessidade de novas etapas.
O senador Paulo Paim (PT-RS) afirmou que nunca presenciou, ao longo de seus mandatos na Casa, uma PEC sendo submetida a múltiplas comissões antes da votação final.
Empresários defendem debate mais amplo
Enquanto o governo pressiona por celeridade, setores empresariais defendem que a proposta seja discutida de forma mais aprofundada.
Representantes do setor produtivo manifestam preocupação com os impactos econômicos da mudança na jornada de trabalho e defendem que o Senado promova audiências e amplie o debate antes da deliberação definitiva.
Nos bastidores, também circula a avaliação de que Alcolumbre busca reforçar a independência institucional do Senado, evitando que a Casa seja vista apenas como uma instância de confirmação das decisões tomadas pela Câmara.
Decisão será tomada na próxima semana
A definição sobre o rito da PEC deverá ocorrer em reunião de líderes marcada para a próxima terça-feira (10).
No encontro, além da tramitação, os senadores também devem discutir a escolha do relator responsável pela análise da proposta.
Até lá, a expectativa é que as articulações políticas se intensifiquem em torno de uma das pautas mais relevantes do Congresso Nacional neste ano, com impacto direto sobre milhões de trabalhadores e empregadores em todo o país.