31 de julho de 2025
POLÍCIA

Mamadeira, chupeta e mais de 200 agulhas: falsa adolescente de 37 anos enganou famílias em sete estados brasileiros

Mulher presa em Santa Catarina usava identidade falsa, simulava comportamento infantil e conquistava a confiança de vítimas para obter moradia, alimentação e benefícios

Por Redação
Publicado em
Mulher de 37 anos é investigada por se passar por adolescente e enganar famílias em diferentes estados brasileiros. - Foto: Reprodução

Um caso que vem sendo tratado pela Polícia Civil como um dos mais inusitados dos últimos anos ganhou repercussão nacional após a prisão de uma mulher de 37 anos que se passava por adolescente para enganar famílias em diferentes regiões do país. Identificada como Amanda Maria Souza de Oliveira, a suspeita foi presa em Joinville, no Norte de Santa Catarina, após ser descoberta vivendo sob identidade falsa em mais um esquema de manipulação emocional.

Segundo as investigações, Amanda utilizava nomes e idades fictícias para convencer pessoas de que era uma adolescente vulnerável, vítima de abandono, violência e exploração. Com histórias comoventes, ela conseguia abrigo, alimentação, roupas, medicamentos e apoio financeiro de famílias que acreditavam estar ajudando uma menor em situação de risco.

A Polícia Civil apura que a suspeita já aplicou golpes semelhantes em pelo menos sete estados brasileiros. Em depoimento, ela admitiu ter adotado a mesma estratégia em cidades dos estados de Santa Catarina, Rio de Janeiro, Paraná, Rio Grande do Sul, Goiás, Minas Gerais e Ceará, onde nasceu.

Comportamento infantil fazia parte do golpe

De acordo com o delegado responsável pelo caso em Joinville, Rodrigo Bueno Gusso, a mulher simulava características e necessidades geralmente associadas à infância para reforçar a falsa identidade.

Entre os comportamentos relatados por testemunhas e vítimas estão o uso de mamadeira, chupeta, objetos infantis para dormir, além de crises emocionais, voz infantilizada e demonstrações constantes de dependência afetiva.

Em um dos casos registrados no Rio de Janeiro, Amanda teria alegado ser vítima de abusos familiares e conseguido mobilizar voluntários de uma instituição social para ajudá-la. Sensibilizadas, pessoas chegaram a alugar uma residência para acomodá-la e custear despesas básicas.

A farsa começou a ruir quando algumas das pessoas que a acolhiam passaram a desconfiar de contradições em seus relatos e do comportamento considerado incomum para uma adolescente.

Exames revelaram mais de 200 agulhas no corpo

Um dos aspectos mais surpreendentes do caso veio à tona após exames médicos realizados em diferentes estados. Segundo relatos de testemunhas e documentos investigativos, Amanda possuía mais de 200 agulhas espalhadas pelo corpo.

A situação foi identificada inicialmente durante atendimento médico no Rio de Janeiro e posteriormente confirmada em Goiás, onde exames de imagem realizados em uma unidade hospitalar revelaram a presença dos objetos metálicos.

Foi justamente durante a passagem por Goiás que autoridades conseguiram confirmar a verdadeira identidade e idade da mulher. Ela chegou a ser presa por falsidade ideológica, mas acabou respondendo ao processo em liberdade.

Mesmo condenada pela Justiça goiana, Amanda não cumpriu integralmente a pena imposta, o que resultou na emissão de um mandado de prisão expedido poucos dias antes de sua captura em Santa Catarina.

Prisão preventiva e avaliação psiquiátrica

Em Joinville, a investigada voltou a repetir o padrão de comportamento. Conforme a Polícia Civil, ela chegou a participar de uma festa organizada pela família que a acolheu para celebrar seu suposto aniversário de 12 anos.

As investigações apontam que a suspeita obteve vantagens materiais significativas, incluindo moradia, alimentação, vestuário e medicamentos de alto custo.

Durante audiência de custódia, o Ministério Público de Santa Catarina solicitou a prisão preventiva da mulher, pedido aceito pela Justiça. A defesa, por sua vez, requereu a realização de exame de sanidade mental para avaliar a condição psicológica da investigada.

Amanda permanece presa e à disposição da Justiça enquanto a Polícia Civil aprofunda as investigações sobre possíveis vítimas e episódios semelhantes em outros estados do país.

O caso continua cercado de questionamentos e chama atenção das autoridades pela complexidade da fraude, pela duração dos golpes e pelo forte impacto emocional causado às famílias que acreditaram estar acolhendo uma adolescente em situação de vulnerabilidade.