Atlas da Violência revela avanço dos homicídios ocultos em Alagoas e aponta uma das maiores taxas de assassinatos de jovens do país
Estado lidera crescimento de homicídios ocultos na última década, registra taxa de mortes de jovens quase duas vezes superior à média nacional e apresenta a maior desigualdade racial nos assassinatos
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Alagoas aparece entre os estados que mais preocupam especialistas em segurança pública no novo Atlas da Violência ao registrar crescimento expressivo dos chamados homicídios ocultos, além de apresentar uma das maiores taxas de assassinatos de jovens do Brasil.
De acordo com a análise metodológica do estudo, Alagoas foi o estado que mais ampliou o número de homicídios ocultos nos períodos entre 2014 e 2024 e também entre 2019 e 2024. O indicador é utilizado para identificar mortes violentas que podem não ter sido oficialmente classificadas como homicídios.
Os homicídios ocultos são estimados a partir de um modelo desenvolvido pelos pesquisadores Daniel Cerqueira e Paulo Lins, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). A metodologia utiliza inteligência artificial e aprendizado de máquina para analisar características das vítimas e das ocorrências, estimando quais mortes registradas como causa indeterminada provavelmente foram homicídios.
Segundo os pesquisadores, quando o número de homicídios ocultos é elevado, isso pode indicar falhas na integração ou no compartilhamento de informações entre os órgãos de segurança pública e os sistemas de saúde responsáveis pelos registros de óbitos.
Outro dado que chama atenção é a violência contra os jovens alagoanos. O Atlas aponta que Alagoas possui uma taxa de homicídios de jovens de 82,1 por 100 mil habitantes, praticamente o dobro da média nacional, que é de 42,2 por 100 mil habitantes.
O levantamento evidencia que a juventude continua sendo uma das parcelas mais vulneráveis da população à violência letal, especialmente em estados que enfrentam desafios históricos relacionados à criminalidade e à desigualdade social.
Além disso, Alagoas aparece em destaque em outro indicador preocupante: a desigualdade racial nos homicídios. O estado registra a maior diferença do país entre as taxas de assassinatos de pessoas negras e não negras.
O dado reforça um cenário de forte desigualdade racial na violência letal, evidenciando que a população negra continua sendo a principal vítima dos homicídios registrados no estado.
Os números do Atlas da Violência acendem um alerta para a necessidade de fortalecimento das políticas públicas voltadas à prevenção da violência, à proteção da juventude e ao aprimoramento dos sistemas de registro e investigação de mortes violentas.
Especialistas defendem que o enfrentamento da violência exige ações integradas nas áreas de segurança pública, educação, assistência social e geração de oportunidades, especialmente para jovens em situação de vulnerabilidade social.