31 de julho de 2025
PERNAMBUCO

Banhistas superam surfistas e lideram estatísticas de ataques de tubarão em Pernambuco desde 1992

Levantamento aponta que maioria das vítimas é formada por moradores da Região Metropolitana do Recife, jovens entre 11 e 30 anos e frequentadores das praias de Boa Viagem e Piedade

Por Redação
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Ataques de tubarão em Pernambuco atingem principalmente jovens e moradores da região - Foto: Reprodução

Os ataques de tubarão registrados em Pernambuco ao longo das últimas três décadas revelam um perfil predominante entre as vítimas. Levantamento do Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit) mostra que os banhistas lideram as estatísticas de ocorrências no estado, superando inclusive os casos envolvendo surfistas.

Dos 84 incidentes contabilizados desde 1992, quando teve início o monitoramento oficial, 41 envolveram banhistas, enquanto 38 ocorreram com surfistas. Outros cinco registros tiveram como vítimas mergulhadores.

Os números ajudam a compreender os casos mais recentes registrados no litoral pernambucano. Tanto o menino João Lucas Castor Nemesio Sales, de 11 anos, atacado no último domingo (31), na Praia de Piedade, quanto a jovem Marcela Vitória de Lima Santo, de 19 anos, vítima de um ataque na segunda-feira (1º), em Boa Viagem, estavam realizando atividades recreativas no mar, situação recorrente na maior parte dos registros históricos.

Os dados também apontam uma forte concentração de vítimas jovens. Entre os 84 casos registrados, 38 envolveram pessoas com idade entre 11 e 20 anos. Outros 24 episódios tiveram vítimas entre 21 e 30 anos.

Na Região Metropolitana do Recife, onde se concentra a maioria dos incidentes, foram registrados seis casos com crianças de até 14 anos e outros 14 envolvendo adolescentes entre 15 e 17 anos.

Outro dado que chama atenção é que a maior parte das vítimas não era formada por turistas. Segundo o levantamento, 60 dos 84 casos envolveram moradores de Pernambuco, enquanto apenas 18 ocorreram com visitantes. Na Região Metropolitana do Recife, a diferença é ainda mais expressiva: 59 moradores foram vítimas de incidentes contra apenas cinco turistas.

Para especialistas, os números indicam que o risco está mais associado à frequência de utilização das praias pelos moradores locais do que à presença de visitantes ocasionais.

As praias de Boa Viagem, no Recife, e Piedade, em Jaboatão dos Guararapes, continuam sendo os pontos mais críticos do litoral pernambucano. Juntas, elas acumulam 49 ocorrências desde o início da série histórica, sendo 25 registros em Boa Viagem e 24 em Piedade.

Na sequência aparece a Praia Del Chifre, em Olinda, com seis casos registrados, incluindo o ataque que resultou na morte de um adolescente de 13 anos em janeiro deste ano.

O levantamento também aponta predominância masculina entre as vítimas. Dos 84 incidentes registrados em Pernambuco, 70 envolveram homens. As mulheres aparecem em apenas dez ocorrências, tornando o caso recente de Marcela Vitória uma exceção dentro da estatística histórica.

Geograficamente, Recife e Jaboatão dos Guararapes lideram o número de ocorrências, com 28 casos cada. Em seguida aparecem Olinda e Cabo de Santo Agostinho, ambos com seis registros.

Desde o início do monitoramento, Pernambuco contabilizou 27 mortes decorrentes de ataques de tubarão. Outras 57 vítimas sobreviveram, muitas delas com ferimentos graves e amputações.

Atualmente, João Lucas e Marcela seguem internados em estado grave no Hospital da Restauração, no Recife. O menino teve a perna esquerda amputada após o ataque de um tubarão-cabeça-chata em Piedade, enquanto a jovem perdeu a perna direita após ser atacada por um tubarão-tigre em Boa Viagem.