Tarifa dos EUA pode chegar a 37,5% sobre produtos brasileiros, diz governo
Medidas somam duas frentes de taxação e ampliam tensão comercial entre Brasil e Estados Unidos
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A combinação de medidas tarifárias discutidas pelo governo dos Estados Unidos pode elevar a carga sobre produtos brasileiros a até 37,5%, segundo avaliação de órgãos do governo federal.
O cálculo reúne duas frentes de taxação: uma tarifa de 25% sobre exportações brasileiras e uma sobretaxa adicional de 12,5% relacionada a investigações comerciais conduzidas pelo governo norte-americano.
As propostas foram elaboradas pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), que apontou supostas práticas comerciais consideradas restritivas e também questões relacionadas ao combate ao trabalho forçado em cadeias globais de produção.
Com isso, o Brasil está entre os países que podem ser impactados pela soma das duas medidas, caso sejam implementadas integralmente.
Em meio à escalada das discussões, representantes dos dois países se reuniram durante encontro da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), na França.
Segundo interlocutores, o governo norte-americano afirmou que segue aberto ao diálogo, enquanto autoridades brasileiras defendem a continuidade das negociações para tentar reduzir ou rever as tarifas.
O canal de comunicação entre os países permanece ativo dentro do prazo acordado anteriormente para tratativas comerciais.
No Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva adotou tom mais duro ao comentar o tema durante reunião ministerial no Palácio do Planalto.
Ele criticou o tratamento dado pelos Estados Unidos ao país e afirmou que o Brasil não deve aceitar imposições comerciais consideradas desproporcionais.
Lula também indicou a possibilidade de buscar novos parceiros comerciais caso as negociações não avancem e disse que pretende enviar uma nova comunicação ao presidente norte-americano Donald Trump para contestar as tarifas.
Auxiliares do governo avaliam que o tema já tem impacto político e passou a ser tratado como uma crise comercial em curso.
Apesar disso, a leitura interna ainda é de que há espaço para negociação e que as tarifas podem ser revistas ou parcialmente revertidas nas próximas rodadas de diálogo.