31 de julho de 2025
Estudo de Perdas de Água 2026

Quase 70% da água tratada desaparece antes de chegar às torneiras em Alagoas

Estudo revela que desperdício de água em Alagoas poderia abastecer mais de 1 milhão de pessoas

Por Redação
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Alagoas registra uma das maiores taxas de desperdício de água do Brasil, com quase 67% da água tratada perdida na distribuição. - Foto: Freepik/Ilustração

Alagoas aparece entre os estados com os piores índices de desperdício de água do país. Segundo o novo Estudo de Perdas de Água 2026, divulgado pelo Instituto Trata Brasil em parceria com a GO Associados, 66,9% da água tratada no estado é perdida antes de chegar ao consumidor final. O volume desperdiçado seria suficiente para abastecer cerca de 1,1 milhão de pessoas, número equivalente a mais de um terço da população alagoana.

O levantamento, elaborado com base nos dados do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (SINISA) referentes a 2024, revela que Alagoas possui o segundo pior índice de perdas na distribuição de água do Brasil, ficando atrás apenas de Roraima (65,97%) e praticamente empatado com outros estados que enfrentam graves problemas de infraestrutura hídrica.

De acordo com o estudo, caso Alagoas conseguisse reduzir suas perdas para a meta nacional de 25%, estabelecida pelo Ministério das Cidades para 2033, seria possível disponibilizar água suficiente para atender aproximadamente 1.135.780 pessoas.

Em números práticos, o desperdício registrado no estado equivale a cerca de 126 piscinas olímpicas de água tratada perdidas diariamente ou mais de 419 mil caixas d'água de 750 litros desperdiçadas todos os dias.

O cenário preocupa especialistas, especialmente porque ocorre em uma região que ainda enfrenta desafios relacionados ao abastecimento regular e ao acesso universal à água tratada. Para o Instituto Trata Brasil, reduzir as perdas é uma das medidas mais eficazes para ampliar a oferta de água sem a necessidade de buscar novos mananciais ou ampliar sistemas de captação.

O desperdício de água gera impactos que vão além da questão ambiental. Segundo os pesquisadores, quanto maior a perda, maiores são os custos com captação, tratamento, energia elétrica, produtos químicos e manutenção das redes de distribuição. Isso acaba pressionando os sistemas de saneamento e aumentando os desafios para a universalização dos serviços.

No cenário nacional, o Brasil desperdiçou 39,53% de toda a água tratada produzida em 2024. O volume perdido seria suficiente para abastecer cerca de 77 milhões de pessoas durante um ano inteiro — mais que o dobro dos 33 milhões de brasileiros que ainda não possuem acesso regular à água potável.

A pesquisa destaca ainda que a redução das perdas se tornou uma estratégia fundamental diante das mudanças climáticas. Com eventos extremos cada vez mais frequentes, como secas prolongadas e crises hídricas, melhorar a eficiência dos sistemas de distribuição é considerado um dos caminhos mais rápidos para aumentar a segurança hídrica da população.

Para o Instituto Trata Brasil, alcançar a meta nacional de 25% de perdas até 2033 exigirá investimentos contínuos em tecnologia, combate a vazamentos, modernização das redes de abastecimento e melhoria da gestão dos sistemas de saneamento.

Enquanto estados como Piauí, Goiás e São Paulo já apresentam índices próximos ou abaixo das metas estabelecidas pelo governo federal, Alagoas ainda enfrenta um longo caminho para reduzir o desperdício e garantir que a água produzida chegue efetivamente às residências da população.