31 de julho de 2025
ABANDONO

Obra da duplicação da BR-316 segue parada em Palmeira dos Índios e gera cobrança por explicações

Anunciada como uma das principais obras viárias de Alagoas, duplicação da rodovia está sem atividades visíveis e sem previsão oficial de retomada

Por Redação
Publicado em
Máquinas permanecem paradas em trecho da duplicação da BR-316, em Palmeira dos Índios; DNIT ainda não informou quando os trabalhos serão retomados. - Foto: Portal Todo Segundo

A duplicação da BR-316, uma das obras de infraestrutura mais aguardadas do Agreste de Alagoas, segue paralisada e sem previsão oficial para retomada, segundo infromações do portal Todo Segundo publicadas nesta terça-feira (2). A situação tem gerado preocupação entre motoristas, moradores e comerciantes que dependem diariamente da rodovia, considerada uma das principais ligações entre o interior e a capital alagoana.

Uma equipe do portal Todo Segundo constatou na terça-feira (2) que não havia movimentação de trabalhadores no canteiro de obras localizado em Palmeira dos Índios. Máquinas permaneciam estacionadas no alojamento da empresa responsável pelos serviços, sem qualquer atividade aparente.

O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) não divulgou esclarecimentos sobre os motivos da interrupção dos trabalhos nem informado uma nova previsão para continuidade da obra.

A duplicação da BR-316 foi anunciada como um dos principais investimentos em mobilidade e logística de Alagoas. O projeto ganhou destaque nacional durante a gestão do então ministro dos Transportes e agora pré-candidato a governador de Alagoas, Renan Filho (MDB), que apresentou a obra como estratégica para reduzir acidentes, melhorar o fluxo de veículos e impulsionar o desenvolvimento econômico da região.

Desde então, a execução passou a ser acompanhada de perto pela população, principalmente pelo simbolismo político da intervenção e pela expectativa criada em torno da modernização da rodovia.

Enquanto as máquinas permanecem paradas, usuários da BR-316 afirmam que a situação tem aumentado a insegurança no trecho já modificado pelas obras.

O caminhoneiro João Batista da Silva, que trafega frequentemente entre Palmeira dos Índios e Maceió, relata preocupação com as condições da via.

“Do jeito que está, ficou ainda mais perigoso. A obra começou, mexeu no trecho, deixou desníveis e pontos com sinalização insuficiente. Agora está tudo parado. Isso aumenta muito o risco de acidentes, principalmente durante a noite e em períodos de chuva”, afirmou.

A mesma preocupação é compartilhada pelo motorista de transporte alternativo Marcos Vinícius Santos. Segundo ele, a paralisação tem provocado transtornos diários para quem utiliza a rodovia.

“A gente passa aqui todos os dias e vê o perigo aumentando. Tem locais estreitos e com pouca sinalização. Já presenciei situações que quase terminaram em acidente. Sem a obra avançar, só piora o trânsito e os riscos para quem depende da estrada”, relatou.

Além dos problemas enfrentados pelos motoristas, empresários instalados às margens da BR-316 afirmam que a paralisação também trouxe prejuízos financeiros.

Segundo comerciantes da região, a redução do fluxo de clientes tem sido percebida desde o início das intervenções na rodovia. A combinação entre poeira, dificuldades de acesso e congestionamentos tem afastado consumidores e reduzido as vendas.

“Depois que a obra começou e acabou ficando parada, o movimento caiu bastante. Muitas pessoas evitam parar aqui por causa das condições do trecho. Isso afeta diretamente nosso faturamento”, contou um comerciante que preferiu não ter a identidade divulgada.

A ausência de posicionamento oficial sobre a paralisação tem aumentado a cobrança de moradores, lideranças locais e usuários da rodovia. A principal reivindicação é que os órgãos responsáveis esclareçam o motivo da interrupção e apresentem um cronograma para retomada dos serviços.

Enquanto isso, o cenário permanece inalterado: máquinas estacionadas, obras sem movimentação e uma das principais promessas de infraestrutura viária de Alagoas sem prazo definido para sair do papel.