Brasil registra 150 mil agressões contra pessoas em situação de rua em dez anos
Estudo aponta crescimento da violência entre 2014 e 2023 e alerta para subnotificação dos casos
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Um levantamento aponta que cerca de 150 mil casos de violência contra pessoas em situação de rua foram registrados no Brasil entre 2014 e 2023. O número, porém, pode ser maior devido à subnotificação.
O estudo “A Cartografia Invisível: 10 anos de Violência contra a População em Situação de Rua”, elaborado pelo Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua da UFMG, indica que 70% das vítimas não procuram atendimento após as agressões, o que dificulta o registro oficial dos casos.
Segundo a pesquisa, em média, pelo menos 120 ocorrências graves são registradas por dia no sistema de saúde. Em 75% dos casos há necessidade de atendimento médico e, em 12%, as agressões resultam em lesões graves ou morte.
Os dados mostram que a violência é recorrente e atinge principalmente homens jovens e negros. Pessoas pretas e pardas representam 78% das vítimas, e jovens entre 15 e 49 anos concentram a maior parte dos registros.
O estudo também destaca que a maior parte das agressões ocorre em vias públicas, mas há registros dentro de abrigos e serviços de acolhimento, o que reforça falhas na proteção desse grupo.
Entre os tipos de violência mais comuns estão agressões físicas, violência psicológica, negligência, violência sexual e casos de autolesão.
Na maior parte das ocorrências, os agressores são desconhecidos das vítimas. O levantamento aponta ainda episódios envolvendo agentes públicos e situações de discriminação contra pessoas em situação de rua.
Os pesquisadores afirmam que o crescimento das ocorrências está ligado ao aumento das desigualdades sociais, à falta de políticas de moradia e ao enfraquecimento das redes de proteção social.
O estudo defende a ampliação de políticas públicas integradas, com foco em moradia, trabalho, saúde e assistência social, além de ações de proteção e prevenção da violência.
O Ministério dos Direitos Humanos informou que acompanha os casos por meio de sistemas oficiais e destacou a criação do programa Cidadania PopRua, voltado ao atendimento e à reinserção social dessa população.