31 de julho de 2025
FARRA DO INSS

PF aponta que ‘Careca do INSS’ usou sobrinha para tentar recuperar carro de luxo apreendido em investigação

Lobista preso na Operação Sem Desconto teria utilizado a própria sobrinha e advogada para registrar falso furto de Audi avaliado em R$ 377 mil, segundo a Polícia Federal

Por Redação
Publicado em
Antonio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS” - Foto: Carlos Moura/Agência Senado

Novos desdobramentos da investigação sobre o esquema bilionário de descontos indevidos em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) colocam novamente no centro das atenções o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido nacionalmente como "Careca do INSS". Segundo a Polícia Federal (PF), ele teria utilizado a própria sobrinha e advogada em uma suposta manobra para recuperar um veículo de luxo que estava sob restrição judicial.

De acordo com informações reveladas pela coluna da jornalista Manoela Alcântara, do portal Metrópoles, a PF sustenta que o investigado articulou o registro de um falso furto envolvendo um Audi RS6 avaliado em aproximadamente R$ 377 mil. O objetivo, segundo os investigadores, seria contornar as restrições impostas ao automóvel e viabilizar sua restituição.

A investigação aponta que o boletim de ocorrência foi registrado por intermédio da advogada Vitória Sernégio, sobrinha do lobista, em uma delegacia localizada no bairro de Perdizes, em São Paulo.

Segundo a Polícia Federal, o Audi fazia parte de um conjunto de bens apreendidos durante a Operação Sem Desconto, investigação que revelou um esquema de fraudes envolvendo descontos indevidos aplicados em benefícios de aposentados e pensionistas do INSS.

Embora o carro tenha sido apreendido na residência de Antonio Carlos Camilo Antunes, o veículo acabou sendo devolvido posteriormente ao proprietário formal, identificado como um ex-sócio do investigado. A restituição ocorreu porque o bem não foi considerado patrimônio direto do lobista, apesar de estar em sua posse quando a operação foi deflagrada.

Os investigadores afirmam que, após o registro do suposto furto, houve uma tentativa de remover as restrições judiciais que incidiam sobre o veículo, permitindo que ele retornasse ao controle do grupo ligado ao investigado.

A Polícia Federal passou a investigar a participação da advogada Vitória Sernégio no episódio. Os investigadores chegaram a solicitar sua prisão domiciliar sob a alegação de envolvimento na tentativa de recuperação do automóvel.

O pedido, no entanto, não foi aceito pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator do caso.

Ainda segundo a apuração, a advogada também atua na defesa criminal do tio em processos relacionados às investigações em andamento.

A coluna do Metrópoles informou que tentou contato com Vitória Sernégio desde fevereiro deste ano, mas não obteve retorno. Conforme a publicação, a jornalista responsável pela apuração foi bloqueada pela advogada.

Outro ponto que chamou atenção dos investigadores foi a suposta atuação de policiais civis paulistas em favor do lobista.

De acordo com a PF, após o registro do boletim de ocorrência, servidoras da Polícia Civil de São Paulo teriam atuado para remover restrições existentes sobre o veículo e facilitar a restituição do Audi.

As suspeitas recaem sobre a investigadora Karla Rodrigues e a escrivã Anna Lygia Paredes Gatti. Ambas foram afastadas das funções e se tornaram alvo de mandados de busca e apreensão autorizados pela Justiça.

As autoridades seguem apurando se houve favorecimento indevido e eventual participação das servidoras na suposta fraude.

Além da polêmica envolvendo o carro de luxo, a Polícia Federal também investiga a aquisição de um imóvel de alto padrão que pode ter sido comprado com recursos oriundos do esquema de fraudes no INSS.

Segundo a investigação, Antonio Carlos Camilo Antunes adquiriu em 2024 um duplex avaliado em aproximadamente R$ 5 milhões no bairro do Itaim Bibi, uma das regiões mais valorizadas da capital paulista.

Os investigadores apuram se a compra foi financiada com recursos obtidos por meio das irregularidades que atingiram milhares de aposentados e pensionistas em todo o país.

Dados da Receita Federal analisados pela PF mostram que a offshore Camilo & Antunes Limited, sediada nas Ilhas Virgens Britânicas e vinculada ao investigado, foi registrada no Brasil em maio de 2024, cerca de um mês antes da aquisição do imóvel.

O apartamento ocupa os dois últimos andares de um edifício de alto padrão e possui quase 300 metros quadrados de área privativa, além de três vagas de garagem, elevador exclusivo, piscina, academia e outras áreas de lazer.