PF aponta que ‘Careca do INSS’ usou sobrinha para tentar recuperar carro de luxo apreendido em investigação
Lobista preso na Operação Sem Desconto teria utilizado a própria sobrinha e advogada para registrar falso furto de Audi avaliado em R$ 377 mil, segundo a Polícia Federal
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Novos desdobramentos da investigação sobre o esquema bilionário de descontos indevidos em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) colocam novamente no centro das atenções o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido nacionalmente como "Careca do INSS". Segundo a Polícia Federal (PF), ele teria utilizado a própria sobrinha e advogada em uma suposta manobra para recuperar um veículo de luxo que estava sob restrição judicial.
De acordo com informações reveladas pela coluna da jornalista Manoela Alcântara, do portal Metrópoles, a PF sustenta que o investigado articulou o registro de um falso furto envolvendo um Audi RS6 avaliado em aproximadamente R$ 377 mil. O objetivo, segundo os investigadores, seria contornar as restrições impostas ao automóvel e viabilizar sua restituição.
A investigação aponta que o boletim de ocorrência foi registrado por intermédio da advogada Vitória Sernégio, sobrinha do lobista, em uma delegacia localizada no bairro de Perdizes, em São Paulo.
Segundo a Polícia Federal, o Audi fazia parte de um conjunto de bens apreendidos durante a Operação Sem Desconto, investigação que revelou um esquema de fraudes envolvendo descontos indevidos aplicados em benefícios de aposentados e pensionistas do INSS.
Embora o carro tenha sido apreendido na residência de Antonio Carlos Camilo Antunes, o veículo acabou sendo devolvido posteriormente ao proprietário formal, identificado como um ex-sócio do investigado. A restituição ocorreu porque o bem não foi considerado patrimônio direto do lobista, apesar de estar em sua posse quando a operação foi deflagrada.
Os investigadores afirmam que, após o registro do suposto furto, houve uma tentativa de remover as restrições judiciais que incidiam sobre o veículo, permitindo que ele retornasse ao controle do grupo ligado ao investigado.
A Polícia Federal passou a investigar a participação da advogada Vitória Sernégio no episódio. Os investigadores chegaram a solicitar sua prisão domiciliar sob a alegação de envolvimento na tentativa de recuperação do automóvel.
O pedido, no entanto, não foi aceito pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator do caso.
Ainda segundo a apuração, a advogada também atua na defesa criminal do tio em processos relacionados às investigações em andamento.
A coluna do Metrópoles informou que tentou contato com Vitória Sernégio desde fevereiro deste ano, mas não obteve retorno. Conforme a publicação, a jornalista responsável pela apuração foi bloqueada pela advogada.
Outro ponto que chamou atenção dos investigadores foi a suposta atuação de policiais civis paulistas em favor do lobista.
De acordo com a PF, após o registro do boletim de ocorrência, servidoras da Polícia Civil de São Paulo teriam atuado para remover restrições existentes sobre o veículo e facilitar a restituição do Audi.
As suspeitas recaem sobre a investigadora Karla Rodrigues e a escrivã Anna Lygia Paredes Gatti. Ambas foram afastadas das funções e se tornaram alvo de mandados de busca e apreensão autorizados pela Justiça.
As autoridades seguem apurando se houve favorecimento indevido e eventual participação das servidoras na suposta fraude.
Além da polêmica envolvendo o carro de luxo, a Polícia Federal também investiga a aquisição de um imóvel de alto padrão que pode ter sido comprado com recursos oriundos do esquema de fraudes no INSS.
Segundo a investigação, Antonio Carlos Camilo Antunes adquiriu em 2024 um duplex avaliado em aproximadamente R$ 5 milhões no bairro do Itaim Bibi, uma das regiões mais valorizadas da capital paulista.
Os investigadores apuram se a compra foi financiada com recursos obtidos por meio das irregularidades que atingiram milhares de aposentados e pensionistas em todo o país.
Dados da Receita Federal analisados pela PF mostram que a offshore Camilo & Antunes Limited, sediada nas Ilhas Virgens Britânicas e vinculada ao investigado, foi registrada no Brasil em maio de 2024, cerca de um mês antes da aquisição do imóvel.
O apartamento ocupa os dois últimos andares de um edifício de alto padrão e possui quase 300 metros quadrados de área privativa, além de três vagas de garagem, elevador exclusivo, piscina, academia e outras áreas de lazer.