Julgamento da morte de Henry Borel entra no oitavo dia e se torna o mais longo da história do júri no Rio
Caso que tem como réus o ex-vereador Dr. Jairinho e Monique Medeiros supera duração do julgamento de Flordelis; depoimentos dos acusados devem ocorrer nesta terça-feira
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O julgamento da morte do menino Henry Borel, de apenas 4 anos, entrou no oitavo dia consecutivo nesta segunda-feira (1º) e já é considerado o mais longo da história do Tribunal do Júri do Rio de Janeiro. A sessão supera a duração do julgamento da ex-deputada federal Flordelis, condenada em 2022 pelo assassinato do pastor Anderson do Carmo.
No banco dos réus estão o ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Dr. Jairinho, e Monique Medeiros da Costa e Silva, mãe da criança. Ambos respondem pelo caso que chocou o país em março de 2021. Segundo o Ministério Público, Henry morreu em decorrência de agressões praticadas por Jairinho, enquanto Monique teria se omitido diante da violência sofrida pelo filho.
Nesta segunda-feira, o júri ouviu o perito Leonardo Huber Tauil, responsável pela assinatura do laudo cadavérico do menino no Instituto Médico Legal (IML). O especialista reafirmou aos jurados que a causa da morte foi uma hemorragia interna provocada por lesão hepática causada por ação contundente.
Durante o depoimento, Tauil explicou que participou de seis complementações do laudo e chegou a realizar inspeção no apartamento onde Henry morava. Segundo ele, nenhum móvel encontrado no local era compatível com a lesão fatal apresentada pela criança, contrariando a versão inicial apresentada por Jairinho e Monique, que afirmavam que o menino teria caído da cama.
O perito também respondeu a questionamentos da defesa relacionados a erros identificados no laudo, como a indicação equivocada do hospital de origem do corpo e a descrição incorreta da cor dos olhos da criança. De acordo com ele, os equívocos foram meros lapsos administrativos e não comprometem as conclusões periciais.
Durante a exibição de imagens do corpo de Henry, Monique Medeiros deixou o plenário. A mesma situação já havia ocorrido na última sexta-feira (29), quando outro perito apresentava fotografias da vítima ao Conselho de Sentença.
Depoimentos marcaram semana de julgamento
Desde o início da sessão, na última segunda-feira (25), diversas testemunhas convocadas pela acusação, defesa e pelo próprio juízo foram ouvidas. Entre os depoimentos mais aguardados esteve o do engenheiro Leniel Borel, pai de Henry, que atua como assistente da acusação e responsabilizou tanto Jairinho quanto Monique pela morte do filho.
Também prestaram depoimento duas ex-namoradas de Jairinho e a filha de uma delas, que relataram episódios de agressões praticadas pelo ex-vereador contra crianças durante relacionamentos anteriores.
A babá de Henry, Thayná de Oliveira Ferreira, confirmou ter alertado Monique sobre suspeitas de agressões contra o menino e afirmou que, após a morte da criança, recebeu orientação para apagar mensagens trocadas com a mãe da vítima.
Outro depoimento de destaque foi o de Bryan Medeiros da Costa Silva, irmão de Monique, que fez uma descrição positiva da irmã e do ambiente familiar em que ambos cresceram.
Réus devem ser ouvidos nesta terça-feira
A expectativa é que a fase de depoimentos seja encerrada ainda nesta segunda-feira. Com isso, a terça-feira (2) deverá ser dedicada aos interrogatórios dos réus.
Uma decisão judicial obtida pela defesa de Jairinho garantiu que Monique seja ouvida primeiro. Os advogados do ex-vereador argumentaram que a medida é necessária para assegurar o pleno direito de defesa.
A defesa de Monique informou que ela está preparada para prestar esclarecimentos ao júri assim que for convocada.
Os debates entre acusação e defesa estão previstos para quarta-feira (3), quando os advogados apresentarão suas alegações finais aos jurados. A expectativa é que a sentença seja anunciada entre a noite de quarta e a madrugada de quinta-feira (4), feriado de Corpus Christi no Rio de Janeiro.
Jurados seguem isolados durante julgamento
O Conselho de Sentença é formado por sete jurados, sendo cinco homens e duas mulheres, que permanecem incomunicáveis durante todo o julgamento. Eles não podem acessar redes sociais, acompanhar notícias sobre o caso ou conversar com terceiros sobre o processo.
Durante os intervalos e pernoites, os jurados permanecem sob acompanhamento da Justiça em instalações do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Caberá a eles decidir, por maioria simples, sobre a condenação ou absolvição dos acusados. Em caso de condenação, a juíza Elizabeth Machado Louro será responsável pela definição das penas.