Com alta de 52% nos casos, crianças são as maiores vítimas de queimaduras no São João
Do total de pacientes que deram entrada na unidade de saúde, o perfil ficou dividido entre 37 crianças e 33 adultos
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O período das festas juninas acende um alerta vermelho para as autoridades de saúde devido ao aumento histórico nos casos de queimaduras provocadas por fogueiras e fogos de artifício. Dados do Centro de Tratamento de Queimados (CTQ) do Hospital da Restauração (HR), localizado no Recife, revelam que 70 pessoas foram atendidas vítimas desse tipo de acidente durante as festividades juninas do ano passado.
O balanço aponta um crescimento expressivo de 52% em comparação com o período anterior, quando foram contabilizados 46 atendimentos. As internações acompanharam a tendência de alta, saltando de 29 para 36 casos, um avanço de 25%. Do total de pacientes que deram entrada na unidade de saúde, o perfil ficou dividido entre 37 crianças e 33 adultos.
Crianças na linha de frente dos riscos
Segundo o cirurgião plástico Guilherme Sedicias, especialista no tratamento de queimados, a combinação entre a curiosidade natural da infância e o manuseio incorreto de artefatos explica por que os menores de idade lideram as estatísticas.
“Normalmente, as crianças são as maiores vítimas nessa época do ano, principalmente por dois fatores importantes. O primeiro é o uso inadequado dos fogos de artifício. O segundo é que as crianças gostam de ficar muito próximas dos artefatos, querem ver tudo de pertinho. As duas principais áreas atingidas são as mãos e a face”, esclarece o médico.
O especialista ressalta que o perigo vai além das chamas. A força da explosão de bombas pode arremessar fragmentos como pólvora, terra, areia e pequenas pedras. O impacto desses materiais contra o rosto pode ocasionar lesões graves na pele e estruturas sensíveis, como os olhos.
Lesões profundas e sequelas duradouras
O aumento no índice de internações reflete uma realidade preocupante: os pacientes estão chegando aos hospitais com ferimentos mais graves, classificados como queimaduras de segundo grau profundo ou de terceiro grau. Nas crianças, o cenário é agravado pelo fato de possuírem menor superfície corporal e tecidos mais delicados.
Além do sofrimento imediato, as marcas do acidente podem persistir por toda a vida. Cicatrizes irregulares frequentemente evoluem para bridas cicatriciais, cordões de tecido endurecido que limitam os movimentos de articulações em áreas como dedos, mãos e pescoço.
Outra grande preocupação médica é a inalação de fumaça e gases tóxicos. Lesões internas nas vias aéreas (boca, nariz e garganta) desencadeiam processos inflamatórios que geram inchaço progressivo, podendo sufocar o paciente horas após o acidente, mesmo se a pele apresentar poucas queimaduras visíveis.
Primeiros socorros: O que fazer e o que evitar
O médico destaca que a conduta adotada imediatamente após o acidente é determinante para reduzir a gravidade da lesão. O protocolo correto inclui:
Resfriamento imediato: Colocar a área afetada sob água corrente fria (da torneira ou chuveiro) por um período de 15 a 20 minutos para reduzir a temperatura local.
Proteção: Cobrir a lesão com um pano limpo e buscar assistência médica imediatamente.
O que nunca fazer: Não se deve aplicar gelo diretamente na pele, assim como substâncias caseiras, como pasta de dente, manteiga, álcool, pó de café ou pomadas sem prescrição. O uso desses produtos não alivia o quadro e aumenta significativamente o risco de infecções graves.
*com informações do Diário de Pernambuco