Alagoas tem a 5ª maior taxa de homicídios de mulheres negras do Brasil, aponta Atlas da Violência 2026
Estado registra 5,9 assassinatos por 100 mil mulheres negras e expõe forte desigualdade racial na violência letal contra mulheres
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O Atlas da Violência 2026 revelou que Alagoas continua entre os estados mais preocupantes do país quando o assunto é violência letal contra mulheres negras. De acordo com o levantamento produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), o estado registrou, em 2024, uma taxa de 5,9 homicídios de mulheres negras para cada 100 mil habitantes, a quinta maior do Brasil.
O índice coloca Alagoas atrás apenas de Ceará (7,2), Pernambuco (6,7), Espírito Santo (6,5) e Roraima (6,3). O dado também supera significativamente a média nacional, que ficou em 4 homicídios por 100 mil mulheres negras no mesmo período.
O estudo reforça que a violência letal contra mulheres no Brasil possui um forte componente racial. Em Alagoas, essa disparidade aparece de forma ainda mais evidente. Enquanto a taxa de homicídios de mulheres negras alcançou 5,9 por 100 mil habitantes, entre as mulheres não negras o índice foi de apenas 0,2 por 100 mil em 2024.
Na prática, isso significa que uma mulher negra em Alagoas enfrentou um risco de morte violenta quase 30 vezes maior do que o registrado entre mulheres não negras no estado.
Os dados revelam uma realidade que vai além dos números absolutos e apontam para a persistência de desigualdades históricas relacionadas a raça, gênero e condições socioeconômicas. Especialistas em segurança pública e direitos humanos têm alertado que a violência contra mulheres negras costuma estar associada a fatores como vulnerabilidade social, menor acesso a políticas de proteção e maior exposição a contextos de violência urbana.
Embora o Atlas mostre que Alagoas apresentou redução na taxa geral de homicídios de mulheres entre 2023 e 2024, o cenário para as mulheres negras continua preocupante. O estado permanece entre as unidades da federação com os piores indicadores do país, demonstrando que os avanços observados nos últimos anos ainda não foram suficientes para reduzir de forma significativa a letalidade nesse grupo específico.
Outro dado relevante do levantamento é o contraste observado entre as mulheres não negras. Em 2024, Alagoas registrou apenas um homicídio de mulher não negra, mantendo a taxa de 0,2 por 100 mil habitantes, uma das menores do Brasil. A diferença entre os dois grupos evidencia o peso da desigualdade racial na distribuição da violência letal.
O Atlas da Violência destaca que essa realidade não é exclusiva de Alagoas, mas se repete em diversas regiões do país. Em nível nacional, as mulheres negras representaram a maioria das vítimas de homicídio em 2024. Foram registrados 2.457 assassinatos de mulheres negras, correspondendo a cerca de dois terços de todos os homicídios femininos ocorridos no Brasil.
Segundo os pesquisadores, a análise por raça e cor permite compreender melhor a dinâmica da violência letal e identificar grupos populacionais mais vulneráveis. O objetivo é subsidiar a formulação de políticas públicas voltadas à prevenção da violência, ao fortalecimento da rede de proteção às mulheres e à redução das desigualdades estruturais.
O levantamento também mostra que, apesar da queda observada em parte dos indicadores nacionais, a violência contra mulheres negras continua sendo um dos principais desafios para a segurança pública brasileira. Em estados como Alagoas, onde as taxas permanecem entre as mais elevadas do país, o tema ganha ainda mais relevância para gestores públicos, órgãos de justiça e entidades de defesa dos direitos das mulheres.