31 de julho de 2025
SAÚDE

INCA faz alerta sobre nova geração de dependentes da nicotina e mira vapes entre jovens

No Dia Mundial sem Tabaco, especialistas defendem regras mais rígidas e apontam crescimento do uso de cigarros eletrônicos entre adolescentes

Por Redação
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INCA e Ministério da Saúde alertam para aumento do uso de vapes e produtos com nicotina entre adolescentes e jovens. - Foto: Tânia Rego/Agência Brasil

O Brasil enfrenta uma nova fase no combate ao tabagismo, marcada pelo avanço dos cigarros eletrônicos, vapes, pods e produtos com nicotina sintética entre adolescentes e jovens. O alerta foi feito pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA) durante evento realizado na última quinta-feira (28), em alusão ao Dia Mundial sem Tabaco, celebrado neste sábado (31).

Segundo o diretor-geral do INCA, Roberto Gil, o país não enfrenta apenas o vício do cigarro tradicional, mas uma disputa contra toda a indústria da nicotina, que tem adolescentes e jovens como principais alvos.

“Me impressiona a desinformação que a gente ainda tem, porque um produto que mata um em cada dois usuários, isso não é um produto que podia existir”, afirmou.

A preocupação das autoridades de saúde está voltada principalmente para os dispositivos eletrônicos para fumar (DEFs), como vapes e pods, além de cigarros aromatizados, que utilizam sabores doces, aromas refrescantes, cores e outras estratégias para tornar o consumo mais atrativo entre os mais jovens.

Vapes e cigarros aromatizados preocupam autoridades

Com o tema “Desmascarando o apelo – combatendo a dependência de nicotina e tabaco”, a campanha do Dia Mundial sem Tabaco de 2026 busca chamar atenção para as estratégias da indústria fumageira de atrair novos consumidores.

Dados da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) mostram que cerca de 2,6 milhões de adolescentes entre 13 e 15 anos consomem tabaco nas Américas, enquanto 2 milhões utilizam cigarros eletrônicos.

Além do impacto na saúde, um estudo apresentado pelo INCA em 2025 estima que o Brasil pode gastar até R$ 153 bilhões por ano com doenças relacionadas ao tabagismo.

Para a secretária-executiva da Comissão Nacional para Implementação da Convenção-Quadro da OMS para o Controle do Tabaco, Vera Luiza da Costa e Silva, o mercado da nicotina vem mudando de estratégia.

“O que a gente tem é uma transição dos cigarros para drogas com mais tecnologia, nicotina sintética e sais de nicotina, aumentando a atratividade e captando futuras gerações de dependentes”, afirmou.

Regulamentação e disputa judicial

Desde 2012, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proíbe aditivos que dão sabor, aroma ou aumentam a atratividade de produtos derivados do tabaco por meio da RDC 14/2012.

No entanto, a norma segue sendo alvo de questionamentos judiciais por parte da indústria fumageira, que argumenta que a proibição inviabilizaria parte da produção nacional de cigarros.

Um estudo publicado este ano pela revista científica Tobacco Control e apresentado pelo INCA rebate essa tese. Segundo a pesquisa, aproximadamente metade das marcas de cigarros registradas no Brasil em 2025 não continha os aditivos proibidos, indicando viabilidade de produção sem substâncias aromatizantes.

“O que não há é interesse mercadológico das indústrias de tabaco de colocar um produto sem aromas e sabores que favorecem a iniciação ao fumo”, afirmou o pesquisador André Zsklo, um dos autores do estudo.

“Doença pediátrica”

Roberto Gil também chamou atenção para o perfil cada vez mais jovem dos usuários de nicotina.

“O tabagismo se torna cada vez mais uma doença pediátrica, que atinge pessoas numa faixa de menos de 20 anos”, alertou.

Especialistas do Ministério da Saúde reforçam que não existe dispositivo eletrônico para fumar considerado seguro, principalmente para adolescentes, fase marcada por experimentação, influência social e forte exposição às redes sociais.

Além da dependência química, o tabagismo está associado ao aumento do risco de câncer, diabetes, doenças cardiovasculares e doenças respiratórias crônicas.

No Brasil, as políticas de prevenção são coordenadas pelo Ministério da Saúde, por meio do Programa Nacional de Controle do Tabagismo (PNCT), executado pelo INCA.