Influenciador que viralizou ao criticar Paulo Dantas é preso em Arapiraca
SSP afirma que prisão ocorreu após parecer do Ministério Público; Governo de Alagoas nega motivação política e diz que caso envolve indícios criminais
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Atualizada as 11h18m*
O influenciador digital Rony Class foi preso na quarta-feira (27), em Arapiraca, durante uma operação que investiga uma suposta tentativa de extorsão contra o governador de Alagoas, Paulo Dantas (MDB).
De acordo com informações divulgadas pela Secretaria de Estado da Segurança Pública de Alagoas (SSP-AL), a investigação avançou após manifestação do Ministério Público Estadual (MPAL), que apontou indícios relacionados ao caso.
Segundo a SSP, o pedido de prisão preventiva foi apresentado pelo próprio Ministério Público, com base em elementos reunidos ao longo da apuração. O processo tramita sob segredo de Justiça, motivo pelo qual detalhes da investigação ainda não foram divulgados oficialmente.
Rony foi localizado pelas autoridades enquanto conduzia um veículo em Arapiraca e, após a abordagem, encaminhado à Central de Polícia do município, onde foram realizados os procedimentos legais.
Até o momento, os órgãos responsáveis não divulgaram detalhes sobre o conteúdo da investigação nem esclareceram quais fatos específicos embasam a suspeita de tentativa de extorsão.
Caso ganhou repercussão após vídeos com críticas a Paulo Dantas
O nome de Rony Class ganhou projeção no cenário político alagoano neste mês de maio após a publicação de vídeos nas redes sociais com críticas ao governador Paulo Dantas.
Morador do município de Batalha, no Sertão de Alagoas — cidade natal do governador —, o influenciador afirmou ter sido alvo de uma operação policial voltada à apreensão de aparelhos eletrônicos, especialmente um telefone celular.
Nos vídeos publicados, Rony questionou o suposto interesse das autoridades no conteúdo de seus aparelhos e afirmou possuir materiais e conversas que classificou como “sigilosos”.
“O telefone que eu tenho coisas guardadas, sigilosas, minhas, estão longe, senhor governador. Eu não nasci ontem não”, declarou em uma das gravações.
O influenciador também afirmou possuir conversas armazenadas com Paulo Dantas e alegou nunca ter tentado extorquir o governador.
Além disso, fez acusações pessoais contra o chefe do Executivo estadual sem apresentar provas públicas até o momento.
Governo de Alagoas nega perseguição política
Após a repercussão do caso nas redes sociais, a Secretaria de Estado da Comunicação (Secom) divulgou uma nota oficial negando qualquer motivação política na prisão do influenciador.
Segundo o governo, a medida judicial foi tomada com base em fundamentos técnicos apresentados ao Poder Judiciário, após parecer favorável do Ministério Público Estadual.
A gestão estadual afirmou ainda que a prisão preventiva não possui relação com críticas ao governo, posicionamentos ideológicos ou liberdade de expressão.
“A cautela processual decorre especificamente de indícios concretos da prática do crime de extorsão, não guardando qualquer relação com atividades de crítica, posicionamento ideológico ou exercício de direitos políticos”, diz trecho da nota.
Ainda de acordo com o comunicado, a decisão judicial teria sido fundamentada na necessidade de garantia da ordem pública e proteção da instrução criminal, mantendo o investigado sob custódia até julgamento do mérito da acusação.
O Governo de Alagoas também declarou que mantém “absoluto respeito à liberdade de imprensa, à fiscalização popular e ao debate democrático”, reforçando que o combate a crimes é responsabilidade das instituições de Justiça.
Como o caso tramita em segredo de Justiça, não há informações públicas sobre os elementos reunidos pela investigação nem confirmação sobre eventuais outros investigados.
A reportagem mantém espaço aberto para manifestações da defesa de Rony Class, do Ministério Público e demais órgãos envolvidos.
Nota Oficial
Em relação às publicações que associam a prisão preventiva do influenciador Ronny Cless a uma suposta motivação política ou cerceamento à liberdade de expressão, a Secretaria de Estado da Comunicação esclarece que a medida foi uma decisão estritamente técnica do Poder Judiciário, emitida após parecer favorável do Ministério Público Estadual (MPE).
É fundamental ressaltar que a cautela processual decorre especificamente de indícios concretos da prática do crime de extorsão, não guardando qualquer relação com atividades de crítica, posicionamento ideológico ou exercício de direitos políticos.
A decisão baseia-se em fundamentos criminais e evidências técnicas apresentadas pelos órgãos competentes, que avaliaram a necessidade da prisão para a garantia da ordem pública e a proteção da instrução criminal, determinando que o indivíduo permaneça sob custódia até o julgamento do mérito da acusação.
O Governo do Estado reitera seu absoluto respeito à liberdade de imprensa, à fiscalização popular e ao debate democrático. O cumprimento da lei e o combate a práticas criminosas são prerrogativas das instituições de Justiça.