31 de julho de 2025
levantamento

Pesquisa aponta que 37% das estudantes faltam às aulas por dores menstruais

Levantamento mostra impacto da menstruação na rotina escolar de alunas do ensino fundamental e médio

Por Redação
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Dados são de pesquisa realizada pelo Instituto Alana em parceria com o Instituto Equidade.info - Foto: Douglas Lopes/Divulgação

Pesquisa divulgada pelo Instituto Alana em parceria com o Instituto Equidade.info mostra que 37,1% das estudantes que menstruam faltam às aulas mensalmente por dores menstruais. O levantamento também aponta que seis em cada dez alunas relatam cólicas moderadas ou fortes que interferem na rotina escolar e levam ao uso de medicação.

O estudo foi divulgado nesta quarta-feira (27), antes do Dia Internacional da Dignidade Menstrual, celebrado nesta quinta-feira (28). A pesquisa ouviu 2.551 estudantes, sendo 770 meninas que menstruam, além de 303 professores e 181 gestores escolares de instituições públicas e privadas em todas as regiões do Brasil.

Entre os principais sintomas citados pelas estudantes estão cólicas menstruais, cansaço, dores no corpo, dores de cabeça, dor abdominal, medo de vazamentos e falta de produtos de higiene ou acesso a banheiro. Segundo os dados, os sintomas podem provocar até dois dias de ausência escolar por mês.

O estudo aponta que as faltas relacionadas à menstruação podem afetar aprendizagem, participação escolar e desempenho acadêmico. O Instituto Alana defende que as escolas adotem protocolos para faltas justificadas e ampliem a orientação sobre saúde menstrual entre professores e gestores.

A pesquisa também identificou desigualdade racial relacionada ao tema. Meninas negras faltam mais às aulas por questões menstruais, mesmo relatando menos episódios de dores intensas. Entre as estudantes negras, 14,5% afirmaram faltar de dois a cinco dias por mês, enquanto entre as alunas brancas o índice foi de 9,6%.

O levantamento mostra ainda diferenças regionais ligadas à infraestrutura escolar e ao acesso a produtos de higiene menstrual. Nas regiões Norte e Centro-Oeste, estudantes apontaram falta de banheiro e absorventes como motivo para ausência nas aulas.

Outro dado apresentado pela pesquisa indica que a primeira menstruação ocorre cada vez mais cedo no Brasil. Segundo o estudo, 65,2% das meninas entrevistadas menstruaram até os 11 anos, enquanto 36,5% tiveram a primeira menstruação até os 10 anos.

A pesquisa também mostrou que professoras e gestoras escolares relatam impactos da dor menstrual na rotina de trabalho. Entre as gestoras entrevistadas, 16,9% afirmaram já ter faltado ao trabalho por motivos menstruais. Entre as professoras, 12,1% disseram ter se ausentado ao menos uma vez no último ano.

Os dados apontam ainda que muitos estudantes do sexo masculino desconhecem os impactos da menstruação na rotina escolar. Segundo o levantamento, 36,8% dos meninos afirmaram não pensar sobre o tema, enquanto parte deles não reconhece a influência da menstruação na frequência escolar e em atividades físicas.

O Instituto Alana defende que a saúde menstrual seja incluída em políticas educacionais, com ações voltadas à infraestrutura, informação e acolhimento de estudantes e profissionais da educação.