31 de julho de 2025
PERNAMBUCO

Investigados de Garanhuns entram na mira da PF em nova fase da Operação Sem Desconto

Polícia Federal investiga suposto esquema bilionário de descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS; desvios podem chegar a R$ 6,3 bilhões

Por Paula Tabosa
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Everaldo Felício de Macedo Junior, ex-gerente executivo do INSS em Garanhuns, e Rogério Soares de Souza, ex-integrante da diretoria do instituto - Foto: Reprodução

A nova fase da Operação Sem Desconto, deflagrada na quarta-feira (27) pela Polícia Federal (PF) e pela Controladoria-Geral da União (CGU), colocou dois nomes ligados a Garanhuns, no Agreste de Pernambuco, no centro das investigações sobre um suposto esquema bilionário de descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS.

Os investigados são Everaldo Felício de Macedo Junior, ex-gerente executivo do INSS em Garanhuns, e Rogério Soares de Souza, ex-integrante da diretoria do instituto e da Superintendência Regional do Nordeste.

Segundo a Polícia Federal, a operação apura a atuação de núcleos regionais envolvidos em fraudes praticadas entre 2019 e 2024. Os descontos teriam sido realizados diretamente nos benefícios de aposentados e pensionistas sem autorização das vítimas.

Ao todo, foram cumpridos 31 mandados de busca e apreensão, além de medidas cautelares como monitoramento eletrônico e bloqueio de bens. As ações ocorreram em Pernambuco, Distrito Federal, São Paulo e Paraíba, por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF). As investigações apontam que os desvios podem chegar a R$ 6,3 bilhões.

De acordo com as apurações, Rogério Soares de Souza é citado como um dos agentes públicos ligados ao núcleo administrativo investigado pela PF. Ele teria relação com a Associação Brasileira dos Aposentados e Pensionistas da Nação (ABAPEN), entidade que, segundo a investigação, recebeu cerca de R$ 70,9 milhões em descontos ao longo de 2024.

Ainda conforme a PF, pelo menos R$ 24,7 milhões desse valor teriam sido repassados para empresas ligadas a Antônio Carlos Camilo, conhecido nacionalmente como “Careca do INSS”.

Rogério é formado em História pela Universidade de Pernambuco (UPE) e em Direito pela Faculdade de Direito de Garanhuns. Também possui especializações em Direito na Administração Pública e Direito Civil e Processual Civil, além de MBA em Orçamento Público e graduação em Gestão Pública.

Já Everaldo Felício de Macedo Junior atuou em diversos cargos dentro do INSS, incluindo funções ligadas à Chefia de Logística e à Superintendência Regional do Nordeste. Em março de 2020, assumiu a gerência executiva do instituto em Garanhuns.

Até o momento, a Polícia Federal não detalhou qual teria sido a participação específica de Everaldo no esquema investigado.

A Operação Sem Desconto investiga associações suspeitas de cadastrar aposentados sem autorização para realizar cobranças mensais diretamente nos benefícios pagos pelo INSS. Segundo a PF e a CGU, as entidades prometiam serviços como assistência jurídica, descontos em academias e planos de saúde, mas muitas não possuíam estrutura para oferecer os atendimentos divulgados.

O caso ganhou repercussão nacional e provocou mudanças no comando da Previdência e do próprio INSS, além da instalação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) no Congresso Nacional.