“Vai ter criança sim”, diz presidente da Parada LGBT+ após projeto que tenta vetar menores no evento
Proposta aprovada em primeiro turno na Câmara de SP quer proibir presença de crianças e adolescentes em eventos LGBTQIA+
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O presidente da Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo, Nelson Matias Pereira, reagiu nesta terça-feira (26) ao projeto de lei que propõe proibir a presença de crianças e adolescentes em eventos LGBTQIA+ na capital paulista.
Durante coletiva de imprensa, Pereira afirmou que menores continuarão participando da manifestação, que completa 30 anos em 2026.
“Vai ter criança sim na Parada”, declarou o presidente da organização do evento.
A fala ocorre após a Câmara Municipal de São Paulo aprovar, em primeiro turno, o Projeto de Lei 50/2025, de autoria do vereador Rubinho Nunes (União Brasil).
O texto prevê a proibição da participação de crianças e adolescentes em eventos públicos ou privados que “façam alusão ou fomentem práticas LGBTQIA+”, incluindo a própria Parada LGBT+.
A proposta ainda precisa passar por uma segunda votação antes de seguir para sanção ou veto do prefeito Ricardo Nunes (MDB).
Além da restrição etária, o projeto determina que eventos LGBTQIA+ sejam realizados apenas em espaços fechados e com controle de acesso, proibindo ocupação de ruas e vias públicas.
O texto também estabelece classificação indicativa para maiores de 18 anos e prevê multas que variam entre R$ 100 mil e R$ 1 milhão em caso de descumprimento, conforme o porte do evento.
Organizações e ativistas de direitos humanos classificaram a proposta como discriminatória e inconstitucional.
Prefeito diz desconhecer proposta
Questionado sobre o tema durante agenda pública, Ricardo Nunes afirmou que ainda não conhecia o conteúdo do projeto.
“Eu não estava sabendo disso”, disse o prefeito ao comentar a proposta apresentada pelo vereador Rubinho Nunes.
Desde 1997, a Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo ocupa a Avenida Paulista e reúne milhares de pessoas todos os anos durante o mês de junho.