31 de julho de 2025
denúncia

Família denuncia falta de material no Estado para cirurgia de paciente com aneurisma cerebral grave

Mesmo após decisões judiciais, família afirma que hospitais da rede estadual não realizaram cirurgia por falta de material

Por Ellen Gonzaga
Publicado em
Dona Maria Celia ao lado da filha Wedja - Foto: Reprodução/Redes sociais

Diagnosticada com aneurisma cerebral há mais de um ano, uma mulher alagoana enfrenta uma corrida contra o tempo para conseguir uma cirurgia na rede pública estadual de Alagoas. Segundo a família, mesmo após o rompimento do aneurisma, hospitais alegaram não possuir material necessário para realizar o procedimento. A paciente teria sido recusada ao menos três vezes em unidades estaduais de saúde, o Hospital Metropolitano em Maceió, Hospital Carvalho Beltrão, em Coruripe, e o Hospital Geral do Estado (HGE).

A família de Maria Célia da Silva Santos, de 50 anos, relata uma sequência de dificuldades desde o início do quadro. A filha, Wedja, relembra que tudo começou em dezembro de 2025, quando a mãe apresentou fortes dores de cabeça, vômitos e confusão mental.

Ela conta que, ao buscar atendimento em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), foi orientada a realizar uma tomografia, mas o exame não teria sido feito. A paciente recebeu medicação e foi liberada, sem qualquer diagnostico ou encamainhamento.

Diante da persistência dos sintomas, e o descaso encontrado ao buscar atendimento nas unidades de saúde a família da dona Maria Célia, decidiu buscar atendimento particular. Foi a partir de uma tomografia realizada na rede privada que veio o diagnóstico mais grave, hemorragia cerebral.

Após o diagnóstico, Maria Célia foi internada na UPA do Jaraguá, devido aos sintomas, onde permaneceu cerca de 21 dias aguardando transferência para uma unidade de maior complexidade. Os hospitais de alta complexidade que a família recorreu, alegaram as mesmas condições, a falta de materiais necessários para realizar a cirurgia.

Devido a longa espera a família recorreu à Defensoria Pública  do Estado e conseguiu decisões judiciais determinando a obrigatoriedade do Estado com a transferência e o tratamento da paciente. Segundo Wedja, mesmo com ordem judicial, o processo seguiu lento. “Foram três decisões e, mesmo assim, ela continuou esperando”, relata.

A transferência para o Hospital Geral do Estado (HGE) só teria ocorrido após a intervenção de um médico neurocirurgião conhecido da família. No HGE, Maria Célia permaneceu internada por cerca de sete dias. A filha relata que um exame inicial apontou resultado dentro da normalidade, apesar do histórico de hemorragia.

De acordo com a filha Wedja, a equipe médica informou que não havia necessidade de continuidade da internação naquele momento e recomendou a repetição do exame semanas depois.

“Disseram que não tinha mais o que fazer ali e mandaram ela para casa”, disse a filha.

Sem acesso ao exame necessário na rede pública, a família aguardou até fevereiro para realizar uma angiografia cerebral em Coruripe. Foi somente então que o aneurisma foi confirmado.

De acordo com a família, o aneurisma já havia se rompido meses antes, mas o diagnóstico definitivo só ocorreu após uma longa espera.
A família relata ainda que, ao tentar dar continuidade ao tratamento na rede estadual, encontrou novas dificuldades. A paciente possui documentos do Hospital Metropolitano que indicam a ausência de insumos necessários para a cirurgia neurocirúrgica.

Paciente segue em casa aguardando cirurgia


Atualmente, Maria Célia está em casa sob os cuidados da família, mas segue em risco, segundo orientação médica. A filha afirma que o procedimento é urgente e que o aneurisma pode voltar a romper a qualquer momento. “Ela não pode esperar”, diz.

Sem alternativa no SUS, a família buscou orçamentos na rede privada. Em dois hospitais, os valores chegam a R$ 200 mil.

Além da luta pela cirurgia, a família relata dificuldades para obter documentos básicos do atendimento. O prontuário da UPA ainda não foi entregue, mesmo após solicitação feita há mais de dez dias. Semília não consegue dar andamento no processo.

A Frances News teve acesso ao laudo médico que confirma o diagnóstico de aneurisma cerebral em Maria Célia da Silva Santos, além de documentos que apontam a indisponibilidade de materiais necessários para a realização da cirurgia na rede pública. Os registros reforçam a situação relatada pela família, que denuncia dificuldades para garantir o tratamento adequado na rede estadual de saúde.

A realização da cirurgia depende da disponibilidade de uma série de materiais médicos essenciais para o procedimento. A lista de itens foi reunida para viabilizar a intervenção e inclui dispositivos de acesso vascular, cateteres e materiais de embolização.

Entre os insumos solicitados estão:

Estes materiais são fundamentais para garantir a segurança e a eficácia do procedimento, que depende de equipamentos altamente específicos utilizados em intervenções vasculares complexas.

Busca por respostas

A família diz ter procurado diferentes órgãos públicos, incluindo a Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), mas afirma que não houve solução efetiva.

Wedja resume o sentimento da família. “É muito doloroso ver sua mãe em risco e não conseguir o atendimento que ela precisa.”

A reportagem da Frances News entrou em contato com a Sesau, mas até o fechamento desta matéria não obteve resposta sobre o caso.