Alagoas lidera desigualdade racial em homicídios no Brasil, aponta Atlas da Violência
Estado registrou a maior disparidade racial do país; negros tiveram 23 vezes mais chances de serem assassinados do que não negros
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Alagoas registrou, em 2024, a maior desigualdade racial nos índices de homicídio do Brasil. Os dados são do Atlas da Violência, divulgado nesta terça-feira (26) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), e revelam um cenário alarmante no estado: uma pessoa negra teve 23,3 vezes mais chances de ser assassinada do que uma pessoa não negra.
O índice coloca Alagoas na liderança nacional da disparidade racial em mortes violentas, superando com ampla margem os demais estados brasileiros. O Amapá, segundo colocado, registrou risco relativo de 16,7, enquanto Sergipe aparece em terceiro lugar, com 6,8.
O levantamento evidencia que a violência letal no Brasil continua afetando de forma desproporcional a população negra, especialmente em estados do Nordeste.
Segundo o estudo, em nível nacional, pessoas negras tiveram 2,7 vezes mais chances de serem vítimas de homicídio do que pessoas não negras em 2024 — um índice muito abaixo do registrado em Alagoas.
O Atlas da Violência aponta ainda que, em praticamente todos os estados brasileiros, ser negro representa maior risco de morte violenta. A única exceção identificada foi Roraima, onde o risco relativo ficou em 0,5, indicando menor incidência proporcional entre a população negra.
Especialistas destacam que os dados reforçam a persistência de desigualdades históricas e estruturais relacionadas à segurança pública, acesso a direitos e vulnerabilidade social.
Além da disparidade racial, Alagoas aparece entre os estados com as maiores taxas de homicídio do Brasil. Segundo o Atlas, o estado registrou 35,9 mortes por 100 mil habitantes em 2024, número considerado elevado em comparação à média nacional.
O documento ressalta que a diferença nos índices de homicídio entre negros e não negros expõe desigualdades sociais profundas ainda presentes no país e aponta que o racismo estrutural muitas vezes não é reconhecido socialmente como fator associado à violência letal.
O Atlas da Violência também cita um levantamento realizado pelo instituto Ipsos em dez capitais brasileiras. A pesquisa mostrou que 78% dos entrevistados reconhecem que pessoas brancas e negras recebem tratamento desigual no Brasil.
Entre os principais espaços apontados pela população como locais de discriminação racial estão os estabelecimentos comerciais e o mercado de trabalho, reforçando a percepção de desigualdade em diferentes áreas da sociedade.