31 de julho de 2025
JORNAL DA FRANCÊS

Falta de ultrassom e raio-X na Santa Mônica coloca gestantes e bebês em risco, denuncia Sinmed-AL

Presidente do Sindicato dos Médicos de Alagoas afirma que maternidade está há semanas sem equipamentos essenciais e enfrenta superlotação permanente

Por Redação
Publicado em
Dra. Sílvia Melo, presidente do Sinmed em entrevista ao Jornal da Francês. - Foto: Reprodução/Rede Francês FM

A presidente do Sindicato dos Médicos de Alagoas (Sinmed-AL), Silvia Melo, denunciou nesta terça-feira (26) a falta de equipamentos essenciais na Maternidade Escola Santa Mônica, em Maceió, situação que, segundo ela, estaria colocando em risco a vida de gestantes de alto risco e bebês prematuros.

Durante entrevista ao Jornal da Francês, a médica afirmou que o único aparelho de ultrassonografia da unidade está sem funcionamento desde o dia 7 de maio, após a quebra do transdutor responsável pelo doppler obstétrico, exame considerado fundamental para o acompanhamento de gestações de alto risco, especialmente em pacientes hipertensas.

Segundo Silvia Melo, o exame é decisivo para determinar o momento adequado da interrupção da gravidez e evitar complicações graves.

“Sem esse exame, uma maternidade de alto risco põe em risco a vida de bebês prematuros”, alertou.

A presidente do Sinmed também denunciou que a reveladora do aparelho de raio-X da maternidade está quebrada desde o fim de março, comprometendo exames importantes para pacientes internados na UTI neonatal e UTI materna.

De acordo com a médica, atualmente os exames de raio-X realizados na Santa Mônica precisam ser levados ao Hospital Universitário para revelação, o que pode causar demora de horas no resultado.

Superlotação e pacientes em poltronas

Além da falta de equipamentos, Silvia Melo voltou a denunciar a superlotação na Maternidade Escola Santa Mônica. Segundo ela, pacientes seguem internadas em poltronas e macas improvisadas nos corredores da unidade.

A médica relatou que a maternidade opera acima da capacidade há anos e que equipes médicas precisam atender um número de pacientes superior ao previsto.

“Temos uma equipe montada para atender 40 leitos, mas frequentemente encontramos mais de 10 pacientes extras internadas em poltronas, sem estrutura adequada”, afirmou.

Segundo a presidente do sindicato, acompanhantes de pacientes também enfrentam condições precárias, permanecendo no chão ou em áreas externas da unidade.

Pacientes estão sendo levadas para outro hospital

Para tentar reduzir os impactos da falta do ultrassom, médicos da maternidade conseguiram autorização para realizar exames no Hospital da Mulher durante o período noturno.

No entanto, Silvia Melo afirma que a solução improvisada é insuficiente, já que o serviço funciona em horário limitado e exige deslocamento de pacientes de alto risco.

A presidente do Sinmed relatou ainda que uma gestante hipertensa severa deixou de ser transferida por risco clínico e, no dia seguinte, o bebê teria sido encontrado morto.

Segundo ela, a situação da maternidade já foi comunicada ao Ministério Público de Alagoas, à Defensoria Pública do Estado de Alagoas e ao Conselho Regional de Medicina de Alagoas.

Sindicato cobra ação do Estado

Silvia Melo também criticou a demora para substituição dos equipamentos e cobrou maior participação da Secretaria de Estado da Saúde de Alagoas (Sesau) na gestão da unidade.

A médica defendeu ainda a ampliação da estrutura física da Santa Mônica e afirmou que a maternidade precisa de, no mínimo, três aparelhos de ultrassom para atender a demanda atual.

“Estamos lidando com duas vidas ao mesmo tempo. Não adianta ter obstetras qualificados sem os equipamentos necessários para fazer diagnósticos e salvar mães e bebês”, concluiu.