31 de julho de 2025
DIREITOS HUMANOS

Brasil atinge nível de desenvolvimento humano “muito alto” pela primeira vez, aponta ONU

País alcançou índice de 0,805 em 2024, impulsionado principalmente pela educação e avanço de políticas públicas, segundo o Pnud

Por Redação
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Brasil alcança maior índice de desenvolvimento humano da história - Foto: Divulgação/Leia Brasi

O Brasil entrou, pela primeira vez, no grupo de países com desenvolvimento humano considerado “muito alto”, segundo dados divulgados nesta terça-feira (26) pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) Brasil. O avanço foi registrado no Radar IDHM 2026, estudo que acompanha a evolução do Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) no país.

De acordo com a pesquisa, o Brasil atingiu índice de 0,805 em 2024, ultrapassando a marca de 0,800 — patamar mínimo definido pela ONU para a categoria de desenvolvimento humano muito alto. Em 2012, o índice brasileiro era de 0,744.

A metodologia do levantamento considera indicadores de saúde e longevidade, educação e geração de renda, além de analisar desigualdades por sexo e raça ao longo dos últimos 13 anos, entre 2012 e 2024.

Segundo o Pnud, quando o índice começou a ser calculado, há cerca de 30 anos, o Brasil era classificado como país de baixo desenvolvimento humano, com IDHM inferior a 0,555.

Educação impulsionou crescimento do IDHM

A educação foi o principal fator responsável pelo avanço do desenvolvimento humano no Brasil na última década.

O indicador educacional subiu de 0,679 em 2012 para 0,798 em 2024, sendo apontado como o componente que mais contribuiu para elevar o desempenho do país.

Segundo a coordenadora da Unidade de Desenvolvimento Humano do Pnud Brasil, Betina Barbosa, políticas públicas como o Bolsa Família tiveram papel decisivo na melhora dos indicadores educacionais.

A especialista destacou que o programa ajudou a retirar crianças do trabalho infantil, garantindo permanência e frequência escolar, especialmente entre famílias de baixa renda.

População negra e mulheres puxam avanço

O estudo aponta que os avanços na educação foram mais significativos entre famílias negras, historicamente mais vulneráveis socialmente.

De acordo com o Pnud, a inclusão da população negra nas políticas públicas foi essencial para a melhora dos indicadores de desenvolvimento humano no país.

Betina Barbosa afirmou que o Brasil não conseguirá avançar no desenvolvimento sem enfrentar desigualdades raciais e de gênero.

“Esses são dois entraves sérios para o Brasil: a desigualdade de raça e a desigualdade de gênero”, destacou.

Saúde mantém melhor desempenho, mas cresce lentamente

Entre os três componentes do IDHM, a saúde continua sendo o indicador mais elevado do Brasil.

O índice de saúde passou de 0,829 em 2012 para 0,860 em 2024, mantendo classificação de desenvolvimento muito alto.

Segundo o Pnud, o desempenho é reflexo da consolidação do Sistema Único de Saúde (SUS), implementado após a Constituição de 1988.

Apesar disso, o avanço do indicador foi mais lento nos últimos anos, principalmente pelos impactos da pandemia da covid-19 sobre a expectativa de vida da população.

Já o índice de renda apresentou crescimento mais modesto, passando de 0,732 para 0,760 entre 2012 e 2024, permanecendo no nível de alto desenvolvimento.

Nordeste registra avanço inédito em regiões metropolitanas

Os dados mostram que as regiões metropolitanas têm puxado o desenvolvimento humano brasileiro para cima, inclusive no Nordeste.

Pela primeira vez, sete das nove regiões metropolitanas nordestinas alcançaram classificação de IDH muito alto.

Confira os índices:

  • Natal: 0,822;
  • Aracaju: 0,809;
  • Grande Teresina: 0,809;
  • Recife: 0,806;
  • São Luís: 0,806;
  • Salvador: 0,803;
  • João Pessoa: 0,803.

Segundo o Pnud, esse movimento mostra que regiões antes consideradas periféricas passaram a contribuir para elevar a média nacional.

Pandemia ainda afeta indicadores sociais

O levantamento também aponta que a pandemia da covid-19 interrompeu temporariamente a trajetória de crescimento do desenvolvimento humano no Brasil.

Em 2021, o IDHM do país caiu para 0,757, refletindo os impactos sociais, econômicos e sanitários da crise.

Entre os principais desafios ainda persistentes estão a mortalidade infantil, a recuperação da expectativa de vida e a necessidade de respostas mais rápidas diante de crises sistêmicas.

Os dados do Radar IDHM foram calculados com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), do IBGE, em parceria com pesquisadores da Fundação João Pinheiro.