31 de julho de 2025
DADOS

Brasil registra menor taxa de homicídios da série histórica, aponta Atlas da Violência 2026

País teve 42,5 mil assassinatos em 2024, mas estudo alerta para aumento da subnotificação e crescimento da sensação de insegurança

Por Redação
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Pesquisa contabilizou 42.590 assassinatos, 6,9% menos que em 2023 - Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

O Brasil registrou, em 2024, a menor taxa de homicídios desde o início da série histórica do Atlas da Violência, iniciada em 2014. Divulgado nesta terça-feira (26), o estudo produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) aponta que o país teve 20,1 assassinatos para cada 100 mil habitantes no ano passado.

Em números absolutos, foram registrados 42.590 homicídios em 2024, uma redução de 6,9% em relação a 2023. Já a taxa de homicídios caiu 7,4% no período, alcançando o menor patamar desde 1998, segundo os pesquisadores.

O levantamento foi elaborado com base em dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) e do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), ambos do Ministério da Saúde.

Queda nos homicídios em 10 anos

A análise histórica mostra uma queda significativa nos índices de violência letal no país ao longo da última década. Entre 2014 e 2024, a taxa nacional de homicídios recuou 33,4%, enquanto o número absoluto de assassinatos caiu 29,6%.

No período, o estado do Amapá foi a única unidade da federação a apresentar aumento expressivo tanto da taxa de homicídios (+30,2%) quanto do número de mortes violentas (+41,8%).

Segundo o coordenador do Atlas da Violência, Daniel Cerqueira, pesquisador do Ipea, o Brasil vive um cenário contraditório: ao mesmo tempo em que os homicídios diminuem, cresce a sensação de insegurança e persistem desigualdades sociais e territoriais.

Apesar da melhora nos números oficiais, o pesquisador alertou para um avanço preocupante na subnotificação dos crimes violentos em 2024.

Pernambuco e Alagoas entre os estados mais violentos

O estudo aponta que a redução dos homicídios foi observada em grande parte do país, embora de maneira desigual entre os estados.

As maiores quedas nas taxas entre 2023 e 2024 foram registradas no Amapá (-30%), Tocantins (-26,7%), Sergipe (-24,8%), Roraima (-22,8%) e Acre (-20,5%).

Já Maranhão (+7,6%) e Ceará (+5,2%) apresentaram aumento relevante nos índices de homicídios, enquanto São Paulo permaneceu estável.

Em 2024, as menores taxas oficiais de homicídios do país foram registradas em:

  • São Paulo: 6,6 por 100 mil habitantes;
  • Santa Catarina: 8,1;
  • Distrito Federal: 10,3;
  • Minas Gerais: 12,8;
  • Rio Grande do Sul: 15,2.

Na outra ponta, os estados com maiores taxas foram:

  • Amapá: 45,7 homicídios por 100 mil habitantes;
  • Bahia: 40,9;
  • Pernambuco: 37,3;
  • Alagoas: 35,9;
  • Ceará: 34,3.

Entre os municípios com mais de 100 mil habitantes, 17 das 20 cidades mais violentas estão concentradas no Nordeste, enquanto as 20 menos violentas ficam exclusivamente nas regiões Sul e Sudeste.

Atlas aponta crescimento dos “homicídios ocultos”

O Atlas da Violência também chamou atenção para o aumento das Mortes Violentas por Causa Indeterminada (MVCI), casos em que o Estado não consegue definir oficialmente se a morte ocorreu por homicídio, acidente ou suicídio.

Em 2024, foram registradas 17.207 mortes violentas sem causa determinada. Segundo a metodologia do estudo, cerca de 41% desses casos correspondem, na verdade, a homicídios subnotificados.

Os chamados “homicídios ocultos” saltaram de 3.755 casos em 2023 para 7.083 em 2024, um crescimento de 88,6%.

Com isso, os homicídios ocultos passaram a representar 14,3% dos homicídios estimados no país, contra 7,6% no ano anterior.

Segundo Daniel Cerqueira, um dos fatores para a subnotificação pode estar na falha de integração entre os dados da saúde e das forças policiais, dificultando a correta classificação das mortes violentas.

No ranking dos homicídios estimados — que soma os casos oficiais e os ocultos — os estados com maiores taxas em 2024 foram Amapá (47,1), Ceará (43,7), Bahia (42,6), Alagoas (39,8) e Pernambuco (38,6).