31 de julho de 2025
RIO DE JANEIRO

Delegado afirma que Jairinho e Monique criaram ‘farsa ensaiada’ sobre morte de Henry Borel

Responsável pela investigação do caso disse em júri que versões apresentadas pelo casal eram mentirosas e incompatíveis com lesões da criança

Por Redação
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Dr. Jairinho e Monique Medeiros, em fotos feitas no ingresso do casal no sistema penitenciário. - Foto: Reprodução

O delegado Edson Henrique Damasceno afirmou, nesta terça-feira (26), que o ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Jairinho, e Monique Medeiros teriam montado uma “farsa ensaiada” para tentar ocultar as circunstâncias da morte do menino Henry Borel, de 4 anos. O depoimento ocorreu durante o segundo dia do julgamento do casal no Tribunal do Júri do Rio de Janeiro.

Responsável pela investigação do caso enquanto era titular da 16ª Delegacia de Polícia da Barra da Tijuca, Damasceno foi o primeiro a depor nesta etapa do julgamento e afirmou que as versões apresentadas por Jairinho e Monique eram falsas e incompatíveis com os ferimentos identificados no corpo da criança.

“No decorrer da investigação, a gente mostrou que tudo era uma farsa ensaiada, que as versões apresentadas eram mentirosas e que as lesões que o menino sofreu eram incompatíveis com qualquer queda de cama. As lesões são gravíssimas”, declarou o delegado durante o depoimento.

Segundo Damasceno, o caso chegou inicialmente à polícia como uma suspeita de acidente doméstico, mas inconsistências nos relatos apresentados pelo casal levantaram suspeitas e levaram ao aprofundamento das investigações.

O delegado também afirmou que Jairinho teria tentado impedir que o corpo de Henry fosse encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML). De acordo com ele, o ex-vereador procurou um alto executivo do hospital onde a criança foi levada para tentar obter a emissão do atestado de óbito sem necessidade de perícia.

“Ele não queria que o corpo fosse encaminhado ao IML”, afirmou Damasceno.

O hospital, porém, recusou o pedido e determinou o envio do corpo ao instituto, onde exames apontaram lesões consideradas incompatíveis com a versão de uma queda da cama, apresentada inicialmente por Monique e Jairinho.

Durante o depoimento, o delegado também declarou que Monique tinha conhecimento de episódios anteriores de agressão sofridos por Henry.

Segundo ele, a mãe da criança chegou a relatar anteriormente a mesma justificativa para ferimentos suspeitos apresentados pelo menino durante atendimento médico em uma unidade de saúde em Bangu.

“Ela disse que ele tinha caído da cama, curiosamente a mesma versão que foi dada quando Henry morreu”, afirmou.

A investigação também identificou mensagens trocadas entre Monique e a babá de Henry, Thayná, que teriam revelado um episódio de agressão ocorrido em fevereiro de 2021. Conforme o delegado, os registros mostravam que Henry foi levado por Jairinho para um quarto e teria saído do local mancando e reclamando de dores.

De acordo com Damasceno, testemunhas relataram que a criança demonstrava medo do padrasto e chegou a pedir para a mãe voltar para casa após um episódio de agressão.

A babá Thayná, apontada como testemunha importante do caso, deve prestar depoimento nos próximos dias durante o julgamento.