31 de julho de 2025
ECONOMIA

FGTS no Desenrola 2.0 leva 1,4 milhão de trabalhadores ao aplicativo e gera filas virtuais

Liberação do uso do FGTS para renegociação de dívidas provoca alta procura, instabilidade no app e filas nesta segunda-feira (25)

Por Redação
Publicado em
Desenrola 2.0 leva 1,4 milhão ao app do FGTS - Foto: Joédson Alves/Agencia Brasil

A liberação do uso do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para renegociação de dívidas no programa Desenrola Brasil 2.0 movimentou milhões de trabalhadores em todo o país nesta segunda-feira (25). Segundo a Caixa Econômica Federal, cerca de 1,4 milhão de pessoas acessaram o aplicativo do FGTS no primeiro dia da nova modalidade.

A alta procura ocorreu principalmente entre trabalhadores interessados em autorizar bancos e instituições financeiras a consultar o saldo disponível do FGTS para uso em renegociações de dívidas. A medida integra a nova fase do programa do governo federal voltado à recuperação financeira de brasileiros endividados.

O volume elevado de acessos acabou provocando instabilidade no aplicativo ao longo do dia. Muitos usuários relataram filas virtuais e lentidão para entrar na plataforma. Em alguns casos, o sistema exigiu atualização do aplicativo antes de permitir a consulta ou autorização do acesso aos recursos.

Como funciona o uso do FGTS no Desenrola 2.0?

A nova modalidade permite que trabalhadores utilizem até 20% do saldo do FGTS ou R$ 1 mil, prevalecendo o valor maior, para quitar ou amortizar dívidas renegociadas dentro do programa.

Para ter acesso ao benefício, o trabalhador precisa entrar no aplicativo do FGTS e autorizar a instituição financeira a consultar os valores disponíveis em sua conta do fundo. A autorização é obrigatória para que os bancos possam oferecer propostas de renegociação.

A Caixa Econômica Federal explicou que o uso do limite máximo não é obrigatório. O trabalhador poderá decidir quanto deseja utilizar do saldo disponível durante o processo de negociação com a instituição financeira.

Dívidas terão limite de até R$ 15 mil por banco

As renegociações feitas dentro do programa terão teto de R$ 15 mil por instituição financeira.

Na prática, um trabalhador que tenha, por exemplo, R$ 100 mil acumulados no FGTS poderá usar até R$ 20 mil, equivalente a 20% do saldo total. Caso possua dívidas em diferentes bancos, ele poderá dividir esse valor entre as instituições, respeitando o limite de R$ 15 mil para cada uma.

Após a autorização no aplicativo, os bancos terão até 30 dias para formalizar os contratos junto à Caixa. Depois da validação, o valor será transferido diretamente à instituição financeira responsável pela dívida renegociada.

Segundo a Caixa, ainda não existe uma estimativa oficial sobre o total de recursos do FGTS que será efetivamente utilizado no Desenrola 2.0, já que a autorização concedida pelo trabalhador não significa contratação automática da renegociação.

Caixa também libera R$ 8,5 bilhões do saque-aniversário

Além da nova funcionalidade do FGTS para renegociação de dívidas, a Caixa antecipou para esta segunda-feira o pagamento de valores desbloqueados do saque-aniversário do fundo.

Ao todo, R$ 8,5 bilhões serão liberados para aproximadamente 10,5 milhões de trabalhadores em todo o Brasil.

Os pagamentos contemplam trabalhadores que aderiram ao saque-aniversário e tiveram vínculo empregatício encerrado ou suspenso entre janeiro de 2020 e dezembro de 2025.

Os créditos serão depositados automaticamente nas contas cadastradas no aplicativo FGTS. Quem não tiver conta vinculada poderá realizar o saque presencialmente em agências da Caixa, casas lotéricas e terminais de autoatendimento até o dia 1º de junho de 2026.