31 de julho de 2025
TEMPO

El Niño deve voltar em junho e pode ser forte em 2026; veja impactos esperados no Brasil

NOAA confirma sinais do fenômeno climático no Pacífico e especialistas alertam para mais calor, seca no Nordeste e aumento das chuvas no Sul

Por Redação
Publicado em
Enchentes no Rio Grande do Sul. - Foto: Arquivo/Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

As últimas análises da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) indicam que não há mais dúvidas sobre o retorno do El Niño em 2026. O fenômeno climático deve começar oficialmente nas próximas semanas, com expectativa de formação já durante o mês de junho, segundo centros internacionais de monitoramento.

A preocupação dos meteorologistas cresce porque os modelos climáticos apontam para a possibilidade de um El Niño forte, capaz de provocar mudanças significativas no regime de chuvas e nas temperaturas em várias partes do planeta — incluindo o Brasil.

De acordo com projeções da Climatempo, o aquecimento das águas do Pacífico Equatorial pode ganhar força até setembro, elevando o risco de extremos climáticos.

O que é o El Niño e por que ele preocupa?

O El Niño é um fenômeno climático provocado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial, especialmente em uma área conhecida pelos cientistas como região Niño 3.4, utilizada como referência global para monitoramento.

Quando a temperatura do mar sobe acima da média, o calor é transferido para a atmosfera, alterando padrões de vento, pressão atmosférica e formação de chuvas em diferentes regiões do mundo.

Na prática, isso significa que algumas áreas podem registrar mais chuva do que o normal, enquanto outras enfrentam estiagens severas e calor intenso.

Segundo os modelos climáticos atuais, a região do Pacífico poderá registrar temperaturas mais de 2°C acima da média, um indicativo de que o fenômeno pode ganhar intensidade.

El Niño 2026 pode ser forte, mas ainda não é considerado “super”

A Climatempo afirma que a chance de um El Niño forte em 2026 é alta, embora ainda seja cedo para classificá-lo como um chamado “super El Niño”.

Os meteorologistas explicam que o comportamento do fenômeno ainda será acompanhado nos próximos meses, especialmente durante o inverno e a primavera no Hemisfério Sul.

Apesar das comparações inevitáveis com eventos recentes, como os de 2015/2016 e 2023/2024, especialistas alertam que os impactos não serão necessariamente iguais.

Ou seja, ainda não é possível afirmar exatamente quais regiões enfrentarão os efeitos mais severos de seca, enchentes ou incêndios florestais.

Quais podem ser os impactos do El Niño no Brasil?

Historicamente, o El Niño provoca mudanças importantes no clima brasileiro.

Entre os efeitos mais comuns estão:

Mais chuva no Sul do Brasil

Estados da região Sul costumam registrar chuvas acima da média, aumentando o risco de enchentes, deslizamentos e eventos extremos.

Maior risco de seca no Nordeste e Amazônia

No Nordeste, o fenômeno costuma reduzir o volume de chuvas, elevando o risco de estiagem, principalmente no semiárido.

A Amazônia também pode enfrentar períodos mais secos, favorecendo queimadas e incêndios florestais.

Ondas de calor mais intensas

Outro efeito comum é a intensificação do calor, especialmente durante a primavera, quando cresce significativamente o risco de ondas de calor prolongadas.

Esse cenário pode impactar agricultura, abastecimento de água e consumo de energia elétrica.

Ainda é cedo para prever regiões mais afetadas

Apesar da tendência de um El Niño forte, especialistas reforçam que os efeitos locais ainda dependem de previsões de médio e curto prazo.

Isso significa que, embora o cenário geral esteja ficando mais claro, a intensidade das chuvas, das secas e dos eventos extremos em cada estado brasileiro ainda será definida ao longo dos próximos meses.