31 de julho de 2025
POLÍTICA

Congresso derruba vetos de Lula e flexibiliza repasses a municípios em ano eleitoral

Parlamentares liberaram transferências e convênios para cidades endividadas mesmo durante o período de restrições das eleições

Por Redação
Publicado em
Congresso derruba vetos de Lula e flexibiliza repasses a municípios em ano eleitoral - Foto: Reprodução/TV Globo

O Congresso Nacional derrubou nesta quinta-feira (21) parte dos vetos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026, flexibilizando regras para o repasse de verbas da União a estados e municípios durante o período eleitoral.

A decisão foi tomada em sessão conjunta de deputados e senadores e restabelece um trecho aprovado pelo Congresso em 2025 que permite doações públicas a estados e municípios nos três meses anteriores às eleições, desde que exista contrapartida.

A legislação eleitoral brasileira proíbe esse tipo de transferência no período eleitoral justamente para evitar favorecimento político e uso da máquina pública em benefício de candidatos.

O governo federal havia vetado o dispositivo sob argumento de inconstitucionalidade. As consultorias técnicas da Câmara e do Senado também alertaram que a medida poderia comprometer a igualdade entre candidatos e abrir espaço para uso político dos recursos públicos.

Mesmo assim, a pressão de prefeitos que participaram da marcha municipalista em Brasília influenciou a decisão do Congresso.

“Todos os prefeitos, milhares de prefeitos do Brasil, estão precisando de um gesto do Congresso Nacional para a deliberação dessa pauta”, afirmou o presidente do Senado, Davi Alcolumbre.

Municípios inadimplentes também serão beneficiados

Outro veto derrubado impedia a celebração de convênios e transferências voluntárias para municípios inadimplentes com até 65 mil habitantes.

Segundo parlamentares favoráveis à medida, mais de 3 mil cidades brasileiras enfrentam restrições fiscais que dificultam o acesso a recursos federais.

“São municípios que não podem receber recursos da União por estarem inadimplentes”, afirmou o senador Wellington Fagundes.

Críticas à mudança

A decisão foi criticada por parlamentares da oposição e entidades ligadas à transparência pública. O deputado Chico Alencar afirmou que a LDO não deveria ser utilizada para modificar regras permanentes da legislação eleitoral.

Já a diretora-executiva da Transparência Brasil, Juliana Sakai, afirmou que as mudanças contrariam tanto a Lei Eleitoral quanto a Lei de Responsabilidade Fiscal.

Segundo ela, permitir transferências para municípios endividados representa risco fiscal e pode fragilizar mecanismos de controle em ano eleitoral.

Próximos passos

Após a derrubada dos vetos pelo Congresso, o presidente Lula terá 48 horas para promulgar as alterações. Caso isso não ocorra, caberá ao presidente do Senado promulgar oficialmente as mudanças aprovadas pelos parlamentares.