31 de julho de 2025
POLÍCIA

Deolane presa: investigação começou com bilhetes do PCC encontrados em presídio e aponta lavagem de dinheiro

Operação Vérnix teve origem em manuscritos apreendidos em cela de integrantes do PCC em 2019; polícia aponta movimentações suspeitas e bloqueio de R$ 27 milhões ligados à influenciadora

Por Redação
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Bilhetes de integrantes do PCC interceptados pela polícia penal no presídio de Presidente Venceslau, no interior de SP, deram origem à Operação Vérnix, do MP de SP. - Foto: Reprodução/GloboNews

A prisão da influenciadora e advogada Deolane Bezerra, realizada nesta quinta-feira (21), na Operação Vérnix, teve origem em uma investigação iniciada há sete anos, após a apreensão de bilhetes e manuscritos atribuídos ao Primeiro Comando da Capital (PCC) dentro de um presídio em Presidente Venceslau, no interior de São Paulo.

Segundo o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e a Polícia Civil, os documentos apreendidos em 2019 revelaram ordens internas da facção, contatos com integrantes da alta cúpula do PCC e até referências a possíveis ataques contra servidores públicos. A partir desse material, foram abertos inquéritos que levaram ao desmantelamento de um suposto esquema de lavagem de dinheiro que agora tem a influenciadora entre os alvos.

Como começou a investigação que levou à prisão de Deolane

De acordo com as investigações, os manuscritos foram encontrados escondidos em uma cela e até na rede de esgoto da Penitenciária II de Presidente Venceslau, durante uma revista realizada em julho de 2019.

O material estava ligado a Gilmar Pinheiro Feitoza, apontado como liderança do PCC dentro da unidade prisional, e a Sharlon Praxedes da Silva, conhecido como “Maradona”. Os dois foram posteriormente condenados e transferidos para o sistema penitenciário federal.

Entre os conteúdos apreendidos estavam supostos planos da facção para ataques contra agentes públicos e informações sobre movimentações financeiras do grupo criminoso.

Um dos pontos que chamou a atenção dos investigadores foi a menção a uma “mulher da transportadora”, apontada como responsável por levantar endereços de servidores públicos, o que deu origem a um segundo inquérito policial.

Transportadora de fachada e suposta ligação com o PCC

A investigação identificou uma empresa de transporte de cargas em Presidente Venceslau, chamada Lado a Lado Transportes, também conhecida como Lopes Lemos Transportes, apontada pelas autoridades como uma empresa de fachada usada para movimentar e ocultar dinheiro do PCC.

Segundo a polícia, o esquema utilizava contas bancárias de terceiros e depósitos pulverizados para dificultar o rastreamento dos recursos.

O nome de Deolane surgiu após a apreensão do celular de Ciro Cesar Lemos, apontado como operador central do esquema, durante a Operação Lado a Lado, deflagrada em 2021.

De acordo com os investigadores, o aparelho continha registros financeiros, imagens e movimentações bancárias que apontariam depósitos para contas ligadas à influenciadora e também a Everton de Souza, conhecido como “Player”, apontado como operador financeiro da facção.

Polícia aponta movimentações financeiras incompatíveis

A investigação afirma que Deolane Bezerra recebeu mais de R$ 1 milhão entre 2018 e 2021, por meio de depósitos fracionados abaixo de R$ 10 mil — prática conhecida como “smurfing”, frequentemente utilizada para evitar alertas automáticos de órgãos de controle financeiro.

Ainda segundo os investigadores, foram identificados quase 50 depósitos em empresas ligadas à influenciadora, totalizando cerca de R$ 716 mil.

A polícia sustenta que não encontrou indícios de prestação de serviços jurídicos ou empresariais compatíveis com os valores recebidos.

Para os investigadores, a imagem pública de Deolane, sua atuação empresarial e o patrimônio acumulado teriam sido usados como uma espécie de “camada de aparente legalidade” para ocultar a origem ilícita do dinheiro.

Justiça bloqueia R$ 27 milhões de Deolane

Ao autorizar as prisões preventivas, a Justiça de São Paulo apontou risco de destruição de provas, ocultação patrimonial, interferência na investigação e eventual fuga dos investigados.

Ao todo, a operação expediu seis mandados de prisão preventiva, além de buscas e apreensões. Também foram determinados bloqueios financeiros que somam R$ 357,5 milhões, além da apreensão de 39 veículos avaliados em mais de R$ 8 milhões.

No caso específico de Deolane Bezerra, a Justiça determinou o bloqueio de R$ 27 milhões em bens e valores.

Além da influenciadora, a operação também mira Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado como líder do PCC, o irmão dele, Alejandro Camacho, e familiares investigados por participação no suposto esquema.

Defesa de Deolane se manifesta

Procurado pela imprensa, o advogado Luiz Imparato, responsável pela defesa de Deolane, informou que ainda está tomando conhecimento detalhado dos autos da investigação.

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