31 de julho de 2025
POLÍCIA

Justiça converte prisão de policial que matou colegas no Sertão de Alagoas e determina novas perícias

Gildate Góes permanecerá preso preventivamente em cela separada; investigação vai apurar consumo de álcool, celular e imagens do trajeto da viatura

Por Redação
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Policiais Yago Gomes (esq) e Denivaldo Jardel, mortos por colega de farda em Delmiro Gouveia - Foto: Ascom PCAL/Divulgação

A Justiça de Alagoas converteu em prisão preventiva a detenção do policial civil Gildate Góes Moraes Sobrinho, de 61 anos, suspeito de assassinar dois colegas de corporação dentro de uma viatura policial em Delmiro Gouveia, no Sertão de Alagoas.

A decisão foi tomada nesta quarta-feira (20), durante audiência de custódia, e determina que o agente permaneça preso enquanto as investigações avançam. Segundo o juiz responsável pelo caso, medidas cautelares alternativas seriam “insuficientes” diante da gravidade dos fatos.

O magistrado também determinou que Gildate fique detido em cela separada dos demais presos, devido à condição de agente de segurança pública.

Além da manutenção da prisão, a Justiça autorizou uma série de diligências investigativas para esclarecer as circunstâncias do crime que matou os policiais civis Yago Gomes Pereira, de 33 anos, e Denivaldo Jardel Lira Moraes, de 47.

Entre as medidas determinadas estão:

  • Exames toxicológicos nas vítimas e no próprio Gildate;
  • Perícia no aparelho celular do policial preso;
  • Levantamento e análise de imagens de câmeras de segurança no entorno da Praça Vicente de Menezes e do trajeto percorrido pela viatura;
  • Oitiva de testemunhas que tiveram contato com os envolvidos antes do crime;
  • Investigação em Piranhas, onde os policiais teriam consumido bebida alcoólica antes dos assassinatos.

A decisão também determina que a Polícia Civil apure o estabelecimento onde o grupo esteve, buscando registros de consumo e eventual comanda para documentar a quantidade e o tipo de bebida ingerida.

O que aconteceu na viatura?

Segundo as investigações preliminares, os três policiais retornavam de uma diligência no município de Piranhas quando o crime ocorreu na madrugada desta quarta-feira.

O grupo seguia em uma viatura descaracterizada em direção à Delegacia Regional de Delmiro Gouveia.

A principal linha investigativa aponta que Gildate ocupava o banco traseiro do veículo e teria efetuado disparos contra os colegas que estavam nos bancos dianteiros.

As vítimas morreram ainda no local.

Inicialmente, surgiu a hipótese de um possível surto psicológico, mas familiares das vítimas têm contestado essa versão.

“Foi execução”, diz tio de policial morto

O delegado da Polícia Civil de Sergipe Luciano Cardoso, tio do policial Yago Gomes, afirmou acreditar que o sobrinho foi executado.

Em entrevista à TV Pajuçara/Record, Luciano contestou a narrativa de surto e disse que as evidências apontam para uma ação intencional.

“Pelo que vi aqui, ele assassinou um policial e Yago, não concordando com a situação, foi morto para não haver testemunhas”, afirmou.

O delegado também alegou ter recebido informações de que Gildate já teria se envolvido em outros episódios violentos no passado, incluindo a morte de um ex-colega e de um animal. Até o momento, essas informações não foram oficialmente confirmadas pela Polícia Civil de Alagoas.

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